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Otimismo exagerado deixa bolsas dos EUA nas mãos de vendedores

Vildana Hajric e Luke Kawa

26/02/2020 09h32

(Bloomberg) -- Em meio à sequência mais sombria para as ações dos Estados Unidos desde 2018, uma coisa é clara. Investidores nos EUA estão pagando caro pelo otimismo que levou o S&P 500 a uma série de recordes no início do ano.

Embora grandes quedas geralmente sejam seguidas de grandes avanços, essa reversão - após semanas de compras eufóricas - tem sido quase historicamente forte. Nos 33 pregões encerrados na última quarta-feira, o S&P 500 caiu em dias consecutivos apenas uma vez. Desde então, o índice fechou em queda em quatro sessões consecutivas. É a primeira vez desde pelo menos 1927 que o índice caiu tão rápido nos dias seguintes a um recorde.

A velocidade com que o clima foi de um extremo a outro pode ser vista em como as perdas foram generalizadas.

A surra serve de confirmação para céticos que passaram janeiro e fevereiro ridicularizando a complacência de investidores. Teorias da conspiração inundaram as primeiras sete semanas de 2020. Veteranos incrédulos atribuíram o dinamismo do mercado a vários fatores, como influxos passivos, operações compromissadas do Federal Reserve e gastos deficitários dos EUA, uma lista sem fim.

"É difícil explicar o quanto se deve à reversão do otimismo extremo e o quanto se deve à percepção de que uma pandemia global pode estar a caminho, disse Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Independent Advisor Alliance. "É pelo menos, em grande parte, devido ao primeiro."

O quarto dia de vendas levou o S&P 500 abaixo da linha de média móvel de 100 dias, um nível importante de suporte observado de perto por especialistas. Nesta semana, o índice já tinha ficado abaixo do preço médio dos últimos 50 dias, deixando a linha de 200 dias como a próxima a ser rompida, segundo analistas técnicos. Se o S&P cair outros 2,7%, também romperia esse nível.

"Essas linhas técnicas devem ser levadas em conta, isso indica que a psicologia está mudando", disse Mark McCormick, chefe global da estratégia de câmbio da TD Securities. "Quando os mercados não negociam com base no crescimento ou nos fundamentos, uma mudança de visão quase sempre leva à queda das coisas sobrecompradas e negociadas com prêmio."

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Vildana Hajric New York, vhajric1@bloomberg.net;Luke Kawa em Nova York, lkawa@bloomberg.net

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