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Especialistas recomendam imunidade de rebanho para países pobres

Ari Altstedter

22/04/2020 15h00

(Bloomberg) -- Polêmica, devido ao alto risco de mortes, uma estratégia de combate ao coronavírus descartada pelo Reino Unido agora é apontada como solução para países pobres, mas jovens, como a Índia.

A chamada imunidade de rebanho, que permite que a maioria da população se torne resistente ao vírus ao se contagiar e depois se recuperar, poderia causar menos destruição econômica e sofrimento humano do que confinamentos restritivos com o objetivo de conter a doença, segundo um crescente número de especialistas.

"Nenhum país pode arcar com um período prolongado de confinamentos e menos ainda um país como a Índia", disse Jayaprakash Muliyil, um proeminente epidemiologista indiano. "Você pode atingir um ponto de imunidade de rebanho sem que a infecção realmente alcance os idosos. E, quando a imunidade de rebanho atingir um número suficiente, o surto será contido e os idosos também estarão seguros."

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Princeton e do Center for Disease Dynamics, Economics and Policy, um grupo de defesa da saúde pública com sede em Nova Déli e Washington, identificou a Índia como um país onde essa estratégia poderia ser bem-sucedida, porque a população desproporcionalmente jovem enfrentaria menos risco de hospitalização e morte.

Eles disseram que permitir que o vírus circule de maneira controlada pelos próximos sete meses proporcionaria imunidade a 60% da população do país até novembro e, assim, conteria a doença.

A mortalidade poderia ser limitada enquanto o vírus se propagasse, em comparação com países europeus como a Itália, já que 93,5% da população indiana tem menos de 65 anos, disseram, embora não tenham divulgado projeções sobre o número de mortos.

A proposta radical destaca os desafios que países em desenvolvimento mais pobres - incluindo nações como a Indonésia e alguns da África subsaariana - enfrentam para conter a epidemia usando as medidas de bloqueio adotadas por economias avançadas.

A impossibilidade de distanciamento social em condições de vida precárias, como em muitas cidades e vilarejos da Índia, a falta de kits de testes para detectar infecções e o sofrimento humano que ocorre nos confinamentos sugerem que um caminho diferente pode ser necessário nesses locais.

Estratégia arriscada

Mesmo em um país como a Índia, com uma população jovem, o conceito tem riscos inerentes. Permitir que as pessoas sejam infectadas inevitavelmente levará muito mais pacientes aos hospitais. Os pesquisadores dizem que a Índia terá que expandir urgentemente a capacidade de cuidados intensivos e leitos de isolamento para garantir que várias ondas de pacientes não se tornem vítimas antes que a imunidade de rebanho seja atingida.

"Temo que isso relaxaria as preocupações de indivíduos mais jovens, que ainda permanecem em risco substancial", disse Jason Andrews, professor assistente de medicina da Universidade Stanford, em e-mail. "A mensagem, em particular, pode levar os mais jovens a acreditarem estar sob menor risco do que estão e a não entenderem seu papel potencial na transmissão."

E, como o novo coronavírus surgiu em seres humanos apenas no final do ano passado, ainda há muitos dados desconhecidos. A imunidade do vírus pode ser um processo mais complexo do que o esperado. Um grupo de pesquisadores estima que até 82% da população precisaria ser infectada antes que a imunidade de rebanho seja alcançada.

©2020 Bloomberg L.P.

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