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Maior fundo soberano do mundo se prepara para saque de US$ 37 bi

Mikael Holter

12/05/2020 07h33

(Bloomberg) -- A Noruega planeja sacar um recorde de 382 bilhões de coroas norueguesas (US$ 37 bilhões) do fundo soberano, uma medida que obrigará o maior investidor soberano do mundo a embarcar em uma histórica venda de ativos para gerar caixa.

A retirada sem precedentes supera em quatro vezes o recorde anterior da Noruega, em 2016. A decisão revela a escala do impacto econômico causado pelas crises gêmeas do Covid-19 e colapso do mercado global de petróleo. A Noruega, maior exportadora de petróleo da Europa Ocidental, enfrenta a pior crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial.

Pela primeira vez, o governo da Noruega deve retirar consideravelmente mais do que o fundo de US$ 1 trilhão gera em fluxo de caixa de dividendos e pagamentos de juros. O fundo não forneceu uma estimativa para a receita deste ano, mas disse que deve ser menor do que o esperado anteriormente, já que as empresas reduzem os pagamentos aos acionistas. O fluxo de caixa do fundo foi de 243 bilhões de coroas no ano passado.

Como a liquidação de ativos agora é inevitável, é provável que o fundo concentre as vendas em seu portfólio de títulos. Isso porque o fundo precisa aumentar a posição em ações depois de a carteira de renda variável ter ficado abaixo da meta exigida de 70% do total.

O governo da Noruega usa recursos do petróleo para fechar déficits orçamentários todos os anos. Até 2016, o chamado déficit estrutural corrigido pelo petróleo estava coberto pela renda do estado com a commodity, como impostos, participações em campos offshore e dividendos da Equinor. Desde que gere excedente, o governo pode depositar dinheiro no fundo. Em 2016 e 2017, os depósitos foram substituídos por saques, pois a receita do petróleo diminuiu devido à queda dos preços. Mas o fundo ainda conseguiu cobrir o valor facilmente com o fluxo de caixa.

Em 2020, tudo mudou. O governo agora espera gastar um recorde de 420 bilhões de coroas de recursos do petróleo em pacotes da crise para sustentar sua economia. E o colapso da receita do petróleo aumenta o choque. O governo prevê que o fluxo de caixa líquido das atividades petrolíferas encolha 62%, para 98 bilhões de coroas, o menor nível desde 1999.

©2020 Bloomberg L.P.