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Ameaça de tarifas da UE sobre exportações dos EUA desafia Trump

Bryce Baschuk

23/06/2020 13h47

(Bloomberg) -- As relações transatlânticas podem ser novamente abaladas no próximo mês. A União Europeia prepara tarifas sobre bilhões de dólares em exportações dos Estados Unidos de setores politicamente importantes para o presidente Donald Trump e seus aliados republicanos no Congresso.

A UE pediu luz verde à Organização Mundial do Comércio para impor taxas de US$ 11,2 bilhões sobre produtos norte-americanos em meio à longa disputa sobre subsídios a aeronaves. Uma decisão é esperada já em julho, e a UE planeja atingir os setores de carvão, agricultura e pesca, além de fabricantes de aeronaves e peças.

O potencial conflito chega em um momento delicado devido ao impacto da recessão sobre as empresas atingidas pela pandemia de coronavírus. Além disso, as eleições presidenciais de novembro nos EUA colocam setores sensíveis no meio de conflitos comerciais em andamento. Missouri, dos senadores republicanos Roy Blunt e Josh Hawley, poderia ser foco das tarifas da UE sobre o carvão. Já o distrito da Califórnia que produz frutas e nozes é reduto eleitoral do líder do Partido Republicano na Câmara dos Deputados, Kevin McCarthy.

Embora a UE tenha pedido um prêmio de bilhões de dólares no caso, segundo o qual os EUA deram subsídios ilegais à Boeing, o governo de Washington disse esperar que a OMC emita uma decisão muito mais restrita, com apenas cerca de US$ 300 milhões em jogo.

Disputa no setor automotivo

O grande número de divergências pendentes entre a UE e os EUA significa que uma disputa pode se transformar rapidamente em guerra comercial. No início do mês, Trump renovou a ameaça de taxar carros europeus, uma medida que provocaria retaliação imediata do bloco, e se preparou para atingir países como França, Espanha e Itália com tarifas se esses países impuserem um imposto sobre empresas internacionais de tecnologia.

O alvo de US$ 2,7 bilhões em exportações de carvão para a UE afetaria a base do apoio de Trump e causaria outra dor de cabeça ao setor em crise. O consumo de eletricidade caiu após o fechamento de fábricas, escritórios e escolas em meio à pandemia de coronavírus, reduzindo a demanda por carvão.

"A implementação contínua de tarifas e disputas comerciais parecem estar contribuindo para a desaceleração do crescimento econômico global, particularmente na Europa e na China", escreveu a Arch Resources, de St. Louis, em relatório anual divulgado em fevereiro.

©2020 Bloomberg L.P.

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