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Coronavírus acelera ascensão de economia sem dinheiro físico

Pandemia diminui uso de dinheiro físico - Getty Images
Pandemia diminui uso de dinheiro físico Imagem: Getty Images

Linda Poon

Da Bloomberg

15/07/2020 14h33

Quando Atlanta, nos EUA, restringiu restaurantes ao serviço de entrega e retirada em meados de março para controlar a propagação do coronavírus, o Castellucci Hospitality Group decidiu que todos os sete restaurantes da rede não aceitariam mais dinheiro em espécie. O proprietário Fred Castellucci disse que já estudava a mudança antes da covid-19, uma vez que 90% das vendas já eram realizadas com cartões de crédito e débito, mas adiou a transição devido à preocupação de excluir clientes.

"A pandemia mudou as coisas", diz. "Agora, nosso foco principal é a saúde e a segurança de nossos clientes, funcionários e de nossa comunidade."

Seus restaurantes implementaram uma série de protocolos desde a reabertura dos serviços de mesa em junho, incluindo espaços entre as mesas e distribuição de cardápios de uso único. No Iberian Pig, restaurante de tapas espanhol do grupo, em breve será testado um sistema sem contato que permite que os clientes paguem escaneando um código QR com o smartphone.

Castellucci não sabe ao certo se o serviço será aceito ou expandido para outras operações, mas uma coisa é certa: ele não planeja aceitar cédulas novamente — e não está sozinho.

No mundo todo, a covid-19 estimula a ascensão da economia sem dinheiro físico, pois funcionários e consumidores temem que o manuseio direto do papel-moeda possa espalhar o coronavírus. Especialistas médicos e de saúde pública dizem que atualmente existem poucos dados para apoiar a tese e que o dinheiro é seguro, desde que as pessoas lavem as mãos. Mas, embora a mudança signifique conveniência e menos preocupações sobre o vírus para alguns, existem muitas pessoas que não possuem acesso a contas bancárias, crédito ou meios digitais suficientes. No Reino Unido, o grupo de defesa do consumidor Which? divulgou que 1 em cada 10 pessoas teve o serviço recusado em lojas por tentar pagar com dinheiro físico durante a quarentena.

Como em muitas outras coisas, o coronavírus expôs e exacerbou a falta de inclusão econômica nos EUA. Quando as quarentenas estavam em vigor, não ter um cartão ou não poder usar aplicativos móveis para pagar por produtos impediu certas pessoas de comprarem online, expondo-as ao risco do vírus em lojas físicas.

"Se você não tem um relacionamento com um banco comercial ou uma cooperativa de crédito, está basicamente doando dinheiro para acessar seu dinheiro", diz Sterling Johnson, gerente da equipe de inclusão econômica da Partnership for Southern Equity. "E, para famílias de baixa renda em uma pandemia, cada dólar conta."