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Pandemia coloca milhões de europeus a caminho de crise de dívida

Alexander Weber

10/08/2020 12h15

(Bloomberg) -- A crise econômica pode se agravar na Europa: os planos para suspender a ajuda sem precedentes aos trabalhadores durante a pandemia de coronavírus ameaçam mergulhar milhões de famílias em dívidas.

Organizações que ajudam indivíduos a resolverem problemas financeiros alertam sobre o forte aumento do número de famílias sobrecarregadas por contas que não podem pagar. Mesmo em países ricos em poupança, como Alemanha e Áustria, cidadãos começam a se preocupar.

"Em algumas províncias, já vemos um número significativamente maior de consultas de pessoas em busca de aconselhamento em comparação com o ano passado", disse Maria Kemmetmueller, vice-diretora da organização de agências de aconselhamento de dívidas na Áustria. "No outono, esperamos um aumento no aconselhamento em todos os lugares de até 40%."

Tais problemas são uma das muitas ameaças à recuperação econômica dos efeitos do coronavírus, pois afetam os gastos. Alguns estudos sugerem risco de instabilidade financeira mais ampla devido ao aumento da inadimplência.

A Rede Europeia de Dívidas do Consumidor, que tenta combater o endividamento excessivo, estima que até 10% das famílias da UE já têm problemas, e o consultor Kosta Skliris estima que essa parcela vai pelo menos dobrar.

Um estudo realizado pelo think tank Bruegel em Bruxelas revelou que quase um terço das famílias europeias achavam que não poderiam cobrir uma despesa inesperada mesmo antes da crise. Países do sul da Europa têm famílias mais "financeiramente frágeis".

A Resolution Foundation disse neste mês que 44% das famílias do Reino Unido antes da crise seriam incapazes de pagar as contas em um período de três meses se perdessem sua principal fonte de renda.

A perda do salário é a principal causa dos problemas financeiros, de modo que todo o impacto da pandemia foi mantido sob controle até agora por programas de licença. Ainda assim, muitos governos, preocupados com o peso das próprias dívidas, planejam reduzir esse apoio, potencialmente aumentando o desemprego.

©2020 Bloomberg L.P.