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China quer colocar WeChat e TikTok em mesa de negociação com EUA

Bloomberg News

12/08/2020 07h00

(Bloomberg) -- Negociadores dos Estados Unidos e da China devem discutir a implementação do acordo comercial de primeira fase nos próximos dias. E o governo de Pequim deve pressionar para que as recentes medidas contra negócios como TikTok e WeChat estejam na agenda.

Uma reunião virtual deve ocorrer nesta semana, embora a data não tenha sido definida, de acordo com pessoas a par dos preparativos para as negociações, que não quiseram ser identificadas. Além das compras agrícolas e da cotação dólar-yuan, que estão entre os temas a serem discutidos, autoridades chinesas pretendem colocar na mesa as futuras proibições de transações aos dois aplicativos por motivos de segurança nacional, anunciadas pelo presidente Donald Trump, segundo as fontes, que não entraram em detalhes sobre o que a China espera alcançar nessas questões.

Sete meses após a assinatura do acordo que suspendeu a guerra tarifária que abalou a economia global, as compras de bens dos EUA prometidas muito aquém da meta. Com a crise de coronavírus e simultânea deterioração das relações EUA-China em várias frentes, desde segurança tecnológica até Hong Kong, o acordo comercial continua sendo uma das poucas áreas em que os governos de Washington e Pequim ainda estão cooperando.

A "única área em que estamos comprometidos é o comércio", disse Larry Kudlow, principal assessor econômico de Trump, em conferência de imprensa na Casa Branca terça-feira. "Está tudo bem agora." O Ministério de Comércio e o Ministério de Relações Exteriores da China não responderam imediatamente a pedidos de comentário por fax.

A China tenta neutralizar um confronto imprevisível com os EUA que atingiu suas líderes de tecnologia. As ações recentes podem levar a uma possível venda das operações nos EUA do aplicativo de vídeos curtos TikTok, controlado pela ByteDance, para a Microsoft. Trump também proibiu transações nos EUA com o aplicativo WeChat da Tencent, que tem mais de 1 bilhão de usuários.

As ordens executivas de Trump, com previsão para entrar em vigor em setembro, têm potencial de causar impacto ainda maior do que o ataque prolongado à fornecedora de equipamentos de telecomunicações Huawei Technologies, pois ameaçam cortar links de comunicação entre cidadãos das maiores economias do mundo. Os EUA argumentam que os aplicativos chineses que coletam informações sobre cidadãos norte-americanos representam um sério risco para a segurança nacional, já que os dados podem ser adquiridos pelo governo chinês.

Com o colapso da economia global neste ano devido à pandemia, pela qual Trump culpa a China, no final de junho o governo de Pequim havia cumprido apenas 25% da meta de comprar mais de US$ 170 bilhões em produtos americanos neste ano. Na terça-feira, Kudlow minimizou o déficit, dizendo que a China havia aumentado "significativamente" as compras de produtos dos EUA.

A China precisaria comprar cerca de US$ 130 bilhões no segundo semestre para cumprir os termos originais do acordo assinado em janeiro, que previa a compra de US$ 200 bilhões adicionais em bens e serviços dos EUA até o final de 2021 em relação ao nível de 2017.

©2020 Bloomberg L.P.