Fukushima, o desastre nuclear transformado em atração turística

Teresa Cambril.

Tóquio, 22 fev (EFE).- A central de Fukushima Daiichi, no Japão, palco do desastre nuclear de 2011, se introduz timidamente na rota turística de lugares marcados pela desgraça, como o edifício Dakota em frente ao qual assassinaram John Lennon ou o campo de concentração nazista de Auschwitz.

Quase cinco anos após declarar estado de emergência na central nuclear e enquanto 70.000 pessoas seguem deslocadas pela alta radioatividade, Fukushima Daiichi começa a receber os primeiros visitantes, especialmente estudantes e moradores da cidade.

Às margens do mar e rodeada de pinheiros, na central de Fukushima trabalham diariamente cerca de 7.000 pessoas para realizar a tarefa de desmantelar a usina, um perigoso e complicado trabalho que pode estender-se por quatro décadas.

Para lutar contra o esquecimento da tragédia de 11 de março de 2011, a organização AFW (Appreciate Fukushima Workers) criou uma rota pela usina nuclear na qual já participaram 140 japoneses desde que foi iniciada em 2015.

Os participantes, equipados com máscaras, luvas de algodão e bolsas de plástico envolvendo seus sapatos, viajam em um ônibus do qual não podem descer durante sua passagem pelas instalações de Fukushima para se proteger da radioatividade.

Nenhum estrangeiro participou até agora nas sete visitas organizadas e a maior parte dos interessados são locais: "Não podemos levar muitas pessoas ali. Por isso, damos prioridade aos residentes da área ou aos que trabalham na reconstrução da província", declarou à Agência a Efe o organizador do tour, Akihiro Yoshikawa, um ex-trabalhador da usina de 35 anos.

A província de Fukushima, no nordeste do Japão, sofreu especialmente a catástrofe de março de 2011, quando se concatenaram em questão de dias um terremoto de nove graus na escala Richter, um tsunami e um acidente nuclear.

"Os cidadãos deveriam conhecer a situação real da central, já que eles são os que sofreram após o acidente nuclear. É um assunto público", comentou Yoshikawa, que defende o acesso dos civis às instalações.

Do ônibus, os visitantes podem contemplar um lugar vedado para quase todos: "Os tanques de água contaminada, a depuradora, vários reatores, o porto e o centro de controle da central", detalhou.

Além desta visita ao epicentro da catástrofe, o governo de Fukushima organizou no último mês de novembro outra rota para estudantes japoneses à cidade de Namie, evacuada em 2011.

Uma experiência piloto na qual participaram 19 jovens de entre 17 e 23 anos e idealizada para que estes "divulgassem" a situação de um dos municípios que começa a ser repovoado por trabalhadores da central, especificou o governo da região.

Após a explosão da crise provocada pelo terremoto e o tsunami, o governo japonês ordenou a evacuação total ou parcial de cerca de dez cidades, entre elas Namie, situadas a distâncias de até 30 quilômetros da usina nuclear.

Alguns delas permanecem abandonadas e intactas desde então, em outras, no entanto, os deslocados após a catástrofe começaram a retornar e junto a eles, os turistas.

É o caso de Naraha, uma cidade próxima à central que tenta retomar a normalidade prévia ao acidente nuclear e onde a proprietária de um restaurante comentou a chegada dos turistas: "Cada vez vêm mais visitantes que esperam encontrar aqui uma espécie de Chernobyl", lamentou.

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