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Dúvidas pairam sobre smartphone, carro e tablet mais baratos do mundo

Moncho Torres.

Nova Délhi, 24 fev (EFE).- O lançamento na semana passada do smartphone mais barato do mundo na Índia, berço do carro e do tablet eletrônico mais econômicos do planeta, renovaram as dúvidas sobre este tipo de produto.

O smartphone Freedom 251 da diminuta empresa indiana Ringing Bells, com um preço de venda de US$ 3,7 (cerca de R$ 15), se une assim ao carro Tata Nano, lançado em 2009 com o módico preço de US$ 1.500 (cerca de R$ 6.000), e do tablet Aakash, que em 2011 chegou às lojas inicialmente apenas para estudantes com um preço subvencionado pelo governo indiano de US$ 22 (R$ 88).

Mas, ao contrário de seus antecessores, criticados desde o início pelos poucos benefícios que apresentavam ao cliente apesar do baixo preço, as dúvidas sobre o Freedom 251 foram totalmente opostas.

A Associação Indiana de Celulares (ICA, na sigla em inglês) transferiu ao Ministério de Telecomunicações do gigante asiático sua incredulidade sobre como um aparelho com os serviços oferecidos por esse smartphone podia ser vendido a esse preço.

Segundo explicou à Agência Efe o diretor adjunto da ICA, Bijesh Kumar Roul, esse celular, contando com distribuição, impostos e outros tipos de custos adicionais, teria um preço mínimo de US$ 60 (R$ 240), e mesmo com subsídios e vendas apenas pela Internet "seu custo não poderia ser inferior a US$ 52 (R$ 208)".

O diretor da ICA não quis especular, no entanto, sobre as causas que permitiram a Ringing Bells vende-lo a um preço tão barato e preferiu esperar a investigação das autoridades indianas.

As críticas sobre o carro mais barato do mundo, o Tata Nano, também surgiram pouco após seu lançamento, depois que seis destes pequenos veículos em forma de ovo queimaram na estrada, o que levou muitos a se perguntar quanto tinham economizado em segurança.

As vendas do Tata Nano desde 2010 não fizeram mais que cair: de 70.431 veículos naquele ano a 16.903 no último ano fiscal.

Além disso, segundo reconheceu o presidente emérito do Grupo Tata, Ratan Tata, promovê-lo como "o carro mais barato do mundo" foi um erro, devido às conotações negativas implícitas.

Uma opinião que não compartilha a publicitária indiana Vandana Katoch, que acredita que "promover-se como o mais barato" pode ser positivo.

"É bom para fazer barulho e conseguir atenção", afirmou à Efe Katoch, que trabalhou com uma das maiores empresas publicitárias da Índia, a DDB, e agora começou a dirigir sua própria companhia, a Clayground.

No entanto, segundo a publicitária, "ser o mais barato não é suficiente" e a chave do sucesso está em responder positivamente às expectativas que o cliente tem ao comprar um produto a esse preço.

O criador do tablet eletrônico mais barato do mundo, Suneet Singh Tuli, que foi inicialmente criticado pela "lentidão" de seu produto, também não acredita que seja um problema promover-se como "o mais barato".

Tuli, que preside a empresa britânica Datawind, insistiu após o lançamento do Aakash em "romper a barreira do acessível" com os demais celulares e tablets que pôs à venda em países em desenvolvimento, ao concentrar-se em "inovar para conseguir algo suficientemente bom" e ao mesmo tempo barato.

"Mais importante que o quão barato sejam os produtos é o impacto que produzem, vendendo smartphones entre US$ 30 (R$ 120) e US$ 40 (R$ 160) você consegue que eles sejam acessíveis para a população", destacou Tuli à Efe.

"É suficientemente bom para suas expectativas, se você não estiver esperando que seja como um iPad, e, além disso, acredito que temos uma obrigação com nossos filhos, que merecem ter acesso a essas tecnologias, à educação", finalizou.

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