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G20 aposta em crescimento independente dos estímulos monetários

Adrià Calatayud.

Xangai (China), 27 fev (EFE).- Os ministros de Finanças do G20 (grupo formado pelas 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia) se comprometeram neste sábado a impulsionar um crescimento econômico que permita deixar para trás definitivamente a crise financeira internacional com uma base além dos estímulos monetários.

A declaração divulgada no encerramento de seu encontro de dois dias em Xangai constatou os crescentes riscos que debilitam a recuperação econômica mundial e a vontade do grupo das economias desenvolvidas e emergentes para superá-los, embora tenha evitado dar receitas claras sobre como isso será feito.

A possível saída do Reino Unido da União Europeia (o chamado "Brexit") e a chegada em massa de refugiados à Europa se somam pela primeira vez a uma lista de ameaças que inclui a queda dos preços das matérias-primas, a volatilidade nos fluxos de capitais e dos mercados e o auge das tensões geopolíticas.

Para superar esse sombrio panorama, o G20 enfatizou no documento final da reunião a necessidade de usar "todas as ferramentas" monetárias, fiscais e estruturais "individual e coletivamente".

As intervenções dos bancos centrais são insuficientes por si sós para gerar um "crescimento sustentável", mas têm que apoiar uma atividade econômica que necessita de "políticas fiscais flexíveis" para reativar-se, segundo se desprende do texto.

Mesmo com taxas de juros próximas a zero na maioria das economias desenvolvidas - inclusive negativos no Japão -, a economia global dá sinais de arrefecimento que reavivaram os temores de uma possível recaída em outra recessão.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) rebaixaram nas últimas semanas suas previsões de crescimento globais para este ano a 3,4% e 3%, respectivamente.

"Não existe margem adicional para injetar liquidez", explicou o ministro de Economia espanhol, Luis de Guindos, que acrescentou em declarações aos jornalistas que alguns países podem intervir na frente fiscal.

Às vésperas da cúpula ministerial, vários membros do G20, entre eles os Estados Unidos, tinham reivindicado um programa conjunto para relançar o crescimento, um pedido que bateu de frente com as reservas manifestadas, entre outros, pelo ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, na jornada inaugural da reunião.

O documento do G20 apresenta compromissos mais concretos contra a manipulação das taxas de câmbio com fins competitivos e para potencializar os investimentos e a construção de infraestruturas, para o que aposta nos novos bancos de desenvolvimento multilaterais.

Além disso, o grupo das economias desenvolvidas e emergentes concordou em intensificar os esforços para eliminar todas as fontes, técnicas e canais de financiamento terrorista e a aumentar a cooperação na troca de informação a respeito.

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, afirmou em entrevista coletiva no encerramento da reunião de Xangai ter percebido um "compromisso renovado" no G20 para reforçar o crescimento econômico e conter os riscos.

Lagarde assegurou que seu "dever" no G20 era lembrar os riscos enfrentados pela economia mundial, e que transmitiu a necessidade de atuar de forma "valente, ampla e coletiva".

"Acredito que essa mensagem foi recebida por nove de cada dez presentes, e os membros sabem que não têm muito tempo para cumprir os compromissos que fizeram para conseguir este 2% adicional", disse Lagarde em referência ao plano adotado na reunião de líderes do G20 de 2014 em Brisbane (Austrália) para conseguir um crescimento econômico de 2,1% acima das previsões até 2018.

Apesar de reconhecer os riscos provocados pela conjuntura internacional, a declaração do G20 julga que a magnitude da volatilidade que experimentaram recentemente os mercados financeiros não se ajusta à realidade econômica.

No documento, o G20 expressa sua esperança de que os países desenvolvidos experimentem uma expansão econômica moderada e que a pujança dos emergentes siga sendo "forte" este ano e se mostrou confiante em garanti-la no futuro, acelerando a adoção de reformas estruturais.

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