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Cervejas artesanais ameaçam reinado das industrializadas

Emili Serra.

Nova York, 1 mai (EFE).- O crescimento da cerveja artesanal nos últimos anos ameaça agora o reinado das grandes marcas industriais, que em meses viram como o artesão ganhou fama no mercado e ocupa maior espaço nas estantes dos estabelecimentos especializados.

Da Bélgica até a Califórnia, seja clara ou escura, a espumosa bebida tem milhões de consumidores por todo o mundo, embora cada vez existam mais apostas na fabricação própria e não nas grandes marcas que encontramos no supermercado da esquina.

Assim demonstra o fato de que, em 17 anos, o número de fábricas de cerveja artesanal quase triplicou nos EUA, passando de 1.564 em 1999 para mais de 4.200 em 2016, segundo informa o meio especializado "Beer Marketer Insight" (BMI).

Um dos pontos fundamentais para entender este fato em Nova York é a Cervejaria de Brooklyn (Brooklyn Brewery), localizada no bairro de Williamsburg.

Além de oferecer uma grande variedade de cervejas, o local abre todo sábado as portas de sua "fábrica" e oferece visitas guiadas aos amantes desta tendência artesanal para que observem, entre outros, como a cevada é maltada e o processo de engarrafamento.

"Trabalho em um estabelecimento no qual só vendemos cervejas, mas agora quero começar a fabricar minha própria bebida. Por isso estou aqui", contou à Agência Efe Andrew Cook, especialista há cinco anos em cervejas e presente em uma destas visitas.

Segundo Cook, as marcas de cerveja artesanal estão "muito presentes" nas estantes porque são "o que a nova geração de consumidores de cerveja procura".

Sua fabricação é relativamente simples, por isso nos últimos 10 anos o setor passou de 6 milhões de barris para 22 milhões e meio disponíveis no mercado, segundo mostrou outro estudo elaborado pela "BMI".

Esta febre pela bebida de produção própria foi liderada no começo pela Samuel Adams, produzida em Boston pelo empresário Jim Koch, que em 1984 iniciou uma revolução sozinho dentro do mercado da cerveja artesanal, agora mais concorrido.

Mas a firma é há tantos anos líder que, para muitos, já não tem essa distinção particular. "Não sabia que Samuel Adams era artesanal", reconheceu à Agência Efe Nico Barrett, "apaixonado por cerveja" e cliente do nova-iorquino Good Beer, onde nas estantes transbordam dezenas de marcas deste tipo, e nenhuma industrial.

Um dos motivos deste momento, segundo explicou Barrett, que há alguns anos começou a fabricar sua própria marca de cerveja caseira, é a relativa facilidade para preparar a bebida.

Mas, o que é necessário para fabricar uma cerveja artesanal de qualidade? Primeiro, vários litros de água declorada, quilos de cevada, gramas de lúpulo e levedura para fazer cerveja, além de uma grande panela, fermentadores e outros utensílios que "nos ajudem a medir o progresso de fermentação e densidade do líquido".

O tempo necessário para fazer a cerveja caseira é "de cerca de um mês", afirmou Barrett, entre a fabricação, fermentação, engarrafamento e carbonatação, processo mais longo que requer "pelo menos três semanas" para que seja gerado "gás suficiente".

"Pode parecer um trabalho longo e tedioso, mas é o contrário: é emocionante", ressaltou o especialista, que espera que sua própria receita, ainda sem nome, ganhe uma boa posição no mercado.

Para alguns, ficar um mês criando uma bebida única e própria pode ser uma experiência muito gratificante e que, às vezes, chega a ter sucesso empresarial.

Porém, avisou o especialista, "nem sempre sabemos como será a primeira cerveja".

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