OIT calcula em US$ 10 trilhões o custo de reduzir a pobreza até 2030

Marta Hurtado.

Genebra, 18 mai (EFE).- A Organização Internacional do Trabalho (OIT) calcula que serão necessários aproximadamente US$ 600 milhões anuais, ou cerca de US$ 10 trilhões nos próximos 15 anos, para erradicar a pobreza extrema e moderada em escala mundial de hoje até o ano de 2030.

Estes são os cálculos que aparecem no relatório "Perspectivas do emprego e questões sociais no Mundo em 2016 - Transformar o emprego para acabar com a pobreza", apresentado nesta quarta-feira pela OIT.

"Os US$ 10 trilhões em 15 anos são a diferença entre a renda que as pessoas têm hoje e a que deveriam ter (no total) para escapar da pobreza. Se fizermos uma transferência direta de dinheiro, esse seria o montante necessário", afirmou em entrevista coletiva Guy Ryder, diretor-geral da OIT.

No entanto, segundo Ryder, para conseguir uma redução da pobreza, o melhor seria a criação de emprego digno.

"O importante é ter consciência de que o fim da pobreza não acontecerá somente com transferências sociais, mas o que claramente temos que fazer é promover oportunidades de trabalho digno", ressaltou.

O texto alerta que o déficit mundial de empregos de qualidade e a deterioração das condições econômicas no mundo ameaçam anular décadas de progressos em matéria de redução da pobreza.

"O progresso alcançado em redução da pobreza foi desigual e é muito frágil", lembrou Ryder.

Segundo os últimos dados divulgados, 36% da população de países emergentes e em vias de desenvolvimento vive na pobreza, com receita diária inferior a US$ 3,10.

O estudo conclui que "o problema da pobreza crônica não pode ser resolvido apenas através de transferências de renda. São cruciais mais e melhores empregos para alcançar este objetivo".

"Nosso relatório mostra que o trabalho digno é uma condição necessária para poder acabar com a pobreza em 2030. O trabalho digno é, ao mesmo tempo, um objetivo e uma ferramenta de desenvolvimento sustentável e bem-sucedido", argumentou Ryder.

A estimativa é que quase um terço das pessoas que vivem em pobreza extrema ou moderada nas economias em desenvolvimento têm emprego, mas este é precário.

"Seus empregos são vulneráveis por natureza: às vezes não recebem salário, estão concentrados em ocupações de baixa qualificação e, faltando proteção social, dependem quase exclusivamente dos salários de seu trabalho", disse.

O texto alerta que, nos países desenvolvidos, um número maior de trabalhadores tem um emprego de caráter assalariado e remunerado, "mas isso não os salva de cair na pobreza".

"Só melhorando deliberadamente a qualidade do emprego existente e criando novos empregos dignos ofereceremos uma saída sustentável para as condições de vida precárias e melhoraremos os meios de subsistência para os trabalhadores pobres e suas famílias", ressaltou, por sua vez, Raymond Torres, diretor do departamento de pesquisa da OIT.

"O crescimento econômico por si mesmo não garante a redução da pobreza", alertou Ryder, que lembrou que os 30% dos mais pobres só contam com 2% das receitas mundiais.

O estudo mostra, além disso, que a alta desigualdade salarial reduz o impacto do crescimento econômico sobre a diminuição da pobreza.

Diante dessa situação, a OIT propõe algumas ações prioritárias com o objetivo de "transformar os empregos para pôr fim à pobreza".

Entre elas, a organização destaca facilitar a transição das empresas informais para companhias e contratos formais e enfrentar a precariedade no trabalho.

Além disso, a OIT considera essencial reforçar os direitos dos trabalhadores e assegurar que os sindicatos e os patrões se preocupem com os pobres.

"Os governos deveriam ser a inspiração em vários exemplos de políticas sociais e de emprego bem-sucedidas que conseguiram incentivar as perspectivas de trabalho para os pobres, tanto nas economias avançadas como nos países em desenvolvimento", diz o texto.

O documento, além disso, insiste no fortalecimento das estratégias que combinam educação e apoio das receitas para reduzir a pobreza entre os menores.

Outra proposta consiste em estabelecer um regime fiscal mais justo e progressivo para as pequenas e médias empresas, para oferecer financiamento e, ao mesmo tempo, melhorar os incentivos. EFE

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