Lisboa lança programa para preservar suas "lojas com história"

Tânia Esteves.

Lisboa, 7 ago (EFE).- A cidade de Lisboa lançou um programa chamado "Lojas com História" a fim de preservar o comércio tradicional que é praticado nas dezenas de estabelecimentos que têm mais de um século e que abrangem desde uma tabacaria a um local especializado em vendas de luvas.

A capital lusitana, que até pouco tempo tinha resistido à homogeneidade comercial imposta pela globalização, tenta agora conservar o velho aroma de muitos de seus estabelecimentos tradicionais e únicos.

Para isso, a prefeitura de Lisboa, em associação com a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, identificou, até agora, 63 lojas que preservam elementos patrimoniais materiais, culturais e históricos em negócios que passam de geração em geração.

Estes estabelecimentos, catalogados com o selo de "Lojas com História", se concentram em pleno centro - no histórico eixo da Baixa de Lisboa, do Chiado e da Praça dos Restauradores - onde lutam, há décadas, contra as vorazes redes multinacionais, hipermercados e lojas de departamento.

Alguns locais são tão emblemáticos como "A Ginjinha Sem Rival", minúsculo espaço onde é servido um adocicado licor de cerejas, a cafeteria "Brasileira" - onde está retratado o poeta Fernando Pessoa - e a "Confeitaria Nacional", famosa por um pastel do rei que deslumbrou a monarquia lusa.

Outro dos locais que desfruta deste selo secular é a famosa cafeteria "Pasteis de Belém", onde a cada dia milhares de turistas degustam a secreta receita dos típicos bolinhos de nata lisboetas.

Mas há outros estabelecimentos menos conhecidos que também integram o plano de proteção do consistório lisboeta. A floricultura "Pequeno Jardim" é uma dessas "Lojas com História".

Instalada em um edifício do final do século XIX, mantém suas características arquitetônicas da época e tem a particularidade de ocupar a entrada e o espaço abaixo da escada de um edifício.

Em declarações à Agência Efe, Elisabete Monteiro, funcionária da floricultura há anos, considerou que a localização da loja, na rua Garrett (no bairro de Chiado), contribuiu para que o negócio exista até hoje.

"Temos o privilégio de estar em uma rua emblemática de Lisboa e, por isso, temos sempre muito movimento. E nos mantemos assim, trabalhando muito", comentou Elisabete.

Uma das características destas "Lojas Com História" é uma ultraespecialização que, pelos efeitos das grandes "megastores" que oferecem de tudo, está em vias de desaparecer.

A "Luvaria Ulisses", na rua do Carmo (também em Chiado), vende unicamente luvas há mais de um século. "No inverno vendemos mais aos portugueses e no verão aos turistas", contou à Agência Efe Paula, funcionária desta curiosa loja.

Por sua vez, a tabacaria "Mônaco" é um estabelecimento de 1894 que conta com autênticas obras de arte em seu interior: azulejos do mestre Rafael Bordalo Pinheiro e pinturas de Antônio Ramalho.

Segundo Tomei, funcionário desta "tabacaria", há uma clientela fixa, embora no verão predominem os estrangeiros.

"Temos muitos clientes frequentes e que mantemos, clientes assíduos da casa mas, agora, no verão, aumentam os estrangeiros porque há muitos portugueses que saem de férias", constatou Tomei.

As dezenas de estabelecimentos distintos por Lisboa como "Lojas com História" terão a vantagem de ter um espaço nos guias locais e gozarão, além disso, de alguns benefícios no âmbito fiscal.

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