Fed volta a considerar alta de juros nos EUA antes do fim do ano

Alfonso Fernández

Washington, 20 ago (EFE).- O Federal Reserve (Fed) volta a considerar uma alta de juros nos EUA, impulsionada pelos últimos indicadores econômicos e depois da paralisia gerada na metade do ano pelas dúvidas sobre a China e a inesperada votação do Reino Unido a favor da saída da União Europeia.

Após a descumprida intenção de realizar até quatro ajustes monetários em 2016, como apontou o Banco Central americano em dezembro do ano passado, quando elevou pela primeira vez as taxas de juros em quase uma década à categoria atual de 0,25% e 0,50%, os mercados apostam como muito por uma possível alta de juros antes do final do ano.

Nesta semana, vários membros do Federal Reserve retomaram o tema da necessidade de prosseguir com o ajuste monetário, uma vez deixadas para trás as dúvidas sobre a economia americana com o mal dado de emprego de maio.

O presidente do Fed de Nova York, William Dudley, previu na terça-feira uma "certa aceleração" nas perspectivas de crescimento econômico dos EUA na segunda metade do ano, por isso que apontou como "possível" uma alta de taxas de juros na reunião de setembro.

"Acredito que estamos vendo um crescimento na segunda metade do ano que será mais forte do que na primeira metade, com certa aceleração nas perspectivas de crescimento", afirmou Dudley em entrevista à rede de televisão "Fox Business".

Para o presidente do Fed de Nova York, considerado um influente membro do organização e com voto fixo, "a melhoria no mercado de trabalho começou a dar sinais de aceleração nos salários", algo que os economistas duvidavam apesar da baixa taxa de desemprego, que se encontra em 4,9 %.

O seguinte encontro de política monetária do banco dirigido por Janet Yellen será realizado em 20 e 21 de setembro.

No entanto, toda a atenção está posta na conferência de Jackson Hole (Wyoming) da próxima semana, que congrega banqueiros centrais de todo o mundo, e na qual Yellen oferecerá um discurso sobre as perspectivas econômicas e a política monetária.

Embora o panorama começou a se desenhar em certa medida, as dúvidas persistem.

Na última reunião do Fed em julho, na qual não foi modificada a política monetária, os membros do Comitê de Mercado Aberto estiveram divididos sobre a necessidade de uma pronta alta de taxas de juros, segundo as atas reveladas na quarta-feira.

"Os membros acordaram em geral que, antes de tomar outro passo para retirar a política flexível, seria prudente acumular mais dados para avaliar o ritmo da atividade econômica e do mercado de trabalho", afirma o documento.

Desde então, os indicadores econômicos ofereceram dados positivos, como a sólida criação de emprego em julho e que a taxa de desemprego se manteve em 4,9 %, perto de níveis considerados próximos ao pleno emprego.

Também os efeitos sobre os mercados financeiros do voto a favor do "Brexit" parecem ter sido menores do que o antecipado para a economia global.

No entanto, o fato de que o Banco da Inglaterra tenha sido obrigado a recortar as taxas de juros para estimular a economia britânica, parece desalentar uma alta rápida do outro lado do Atlântico e, por isso, as probabilidades se situam mais na reunião do Fed de dezembro do que na de setembro.

"É suficiente para que Janet Yellen se movimente em setembro? Não acredito. Acho que ela está centrada nas condições globais. Talvez em dezembro, se esta tendência continuar, mas não agora", disse Bill Gross, que administrou o até há pouco maior fundo de investimentos global Pimco e lidera agora o Janus Capital Group Inc.

Atualmente, os mercados dão cerca de 25% de probabilidades a uma alta em setembro e 45% a uma alta em dezembro.

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