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Hubo, o robô que salvará vidas humanas

Teresa Cambril.

Seul, 20 ago (EFE).- Um grupo de cientistas da cidade sul-coreana de Daejon está desenvolvendo o humanoide Hubo, um robô que poderá salvar vidas humanas já nos próximos anos.

Desenvolvido naquele que é considerado o Vale do Silício do país asiático, o Hubo teve sua primeira versão há 12 anos e ganhou em 2015 o primeiro prêmio de robótica concedido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, no qual também concorreram robôs japoneses, italianos e até mesmo um americano desenvolvido pela Nasa.

Na competição de elite, os robôs deviam realizar tarefas de maneira autônoma (ou seja, sem interferência humana) como "dirigir um veículo, abrir uma porta com fechadura ou vencer diferentes obstáculos em uma situação de catástrofe", explicou em entrevista o "pai" de Hubo, o pesquisador Oh Joon-ho, de 62 anos.

O cientista detalhou que o humanoide tem 80 quilos e 1,70m de altura e terá como função substituir o ser humano em "trabalhos muito perigosos, como acidentes ou catástrofes". Segundo Joon-ho, o futuro de Hubo está relacionado com as forças armadas, serviços médicos ou combate ao terrorismo, esta última uma possibilidade ainda pouco explorada.

O robô desenvolvido em um bagunçado laboratório com cara de oficina mecânica situado no Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia do Sul (KAIST, na sigla em inglês) é um emaranhado de sensores, cabos e peças de metal que se destaca em relação aos outros androides por sua agilidade e senso de equilíbrio.

Ainda em desenvolvimento, o Hube já teve 23 unidades comercializadas. Ele pode carregar pesos de até 20 quilos e tomar decisões de maneira autônoma, como descobrir se é melhor afastar um obstáculo ou passar por cima dele.

"Não acho que a inteligência artificial possa superar a humana. Pelo menos, não no tempo que nos resta de vida. Além disso, mesmo que um carro seja mais rápido que um humano, por exemplo, não significa que seja melhor", disse o cientista.

Segundo o sul-coreano, o futuro da humanidade será robotizado, mas é difícil imaginar a profundidade dessa mudança no cotidiano.

"Na época anterior aos computadores, não imaginávamos que eles acabariam sendo utilizados para comunicação ou para vermos filmes", refletiu o cientista, que apostou que não teremos humanoides dirigindo veículos ou abrindo portas nos próximos anos, mas que existirão "portas que avaliam se o usuário pode entrar em casa e carros 'autônomos'".

No entanto, Joon-ho acredita que o desenvolvimento tecnológico atual ainda não satisfaz as verdadeiras necessidades humanas e de uma sociedade que envelhece cada vez mais rápido.

"Acredito que a tecnologia será posta a serviço de pessoas com demência senil ou incapacitadas, entre outros grupos, e que teremos nos próximos anos um aumento da demanda por produtos robóticos para atender a estes grupos", comentou.

Além do instituto situado em Daejeon, centros nos Estados Unidos, na China e em Cingapura trabalham no desenvolvimento deste humanoide, que ostenta a bandeira sul-coreana em seu braço de alumínio.

A produção deste autômato, que, ao contrário de outros, é desmontável e conta com articulações - como cotovelos ou joelhos - semelhantes às humanas, custa cerca de US$ 500 mil.

O desafio no qual trabalha agora a equipe liderada por Joon-ho é transformar Hubo em um robô mais resistente: "Nosso maior desafio no momento é fazer com que ele não quebre se cair no chão", explicou o 'pai' do humanoide, cujo interesse pela robótica foi despertado ao ver ASIMO, um inovador robô japonês desenvolvido pela Honda no ano 2000.

Além dos robôs, seu outro vício é contemplar eclipses, um fenômeno astrológico que o levou a viajar por todo o mundo em 20 anos: "É meu hobby", contou o cientista sul-coreano com ares de homem do Renascimento.

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