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Televisão deixa o 'zapping' no passado e abre portas para a criatividade

Cristina Maymó.

Cannes (França), 17 out (EFE).- O gesto de controlar a televisão apenas mudando de canais ficou no passado. Em poucos anos, as novas tecnologias transformaram o telespectador em uma figura ativa, que busca conteúdo especializado e sob demanda na internet, ou entre infinitas listas de programação.

YouTube, sites piratas de vídeos em streaming e plataformas como Netflix abriram o caminho para a mudança na televisão, satisfazendo um público que há tempos deixou de se interessar pelos tradicionais canais.

Prova dessa mudança é a presença do presidente da Sony Corporation, Kazuo Hirai, na edição deste ano do MIPCOM de Cannes, o maior mercado de conteúdo transmitido pela televisão do mundo, que trouxe um tema significativo aos participantes: "A Nova Televisão".

Jérôme Delhaye, chefe da Divisão de Entretenimento da empresa que organiza o MIPCOM, Reed Medem, apresentou Hirai como "um executivo que fez de tudo em uma companhia que faz de tudo".

Não há praticamente nada que a Sony não tenha feito na indústria do entretenimento, desde programas de televisão até videogames, passando por filmes, séries e música, e tudo isso enquanto cria novas tecnologias para proporcionar conteúdo ao alcance do grande público.

Hirai se mostrou uma das pessoas mais idôneas para falar sobre a linha tênue que agora separa o digital dos formatos tradicionais no mundo audiovisual.

"As pessoas querem ver um determinado conteúdo, em um determinado momento e em um determinado lugar. E estão dispostas a pagar por isso", disse Hirai ao público.

Os espectadores não esperam mais para ver que passa na televisão, nem precisam aguardar o início do programa que querem assistir. Eles buscam, demandam, e estão cada vez mais dispostos a pagar por isso, propiciando assim um leque de ofertas especializadas, frequentemente financiadas pelos assinantes, e não pela publicidade.

As ramificações da demanda audiovisual são tantas que já não são apenas relativas ao conteúdo, mas também ao suporte e, em resposta, o setor começa a gerar formatos concebidos expressamente para smartphones e tablets.

Em sua participação no evento, o fundador da empresa de mídia Propagate Content, Howards Owens, se referiu graficamente à especialização do setor quando mencionou que no Vale do Silício costuma se dizer que "os mais ricos estão nos nichos" de mercado.

Influenciadores que recomendam filmes em seus blogs, mas que não podem postá-los por falta de direitos, ou anônimos transformados em youtubers da noite para o dia que não sabem como explorar o sucesso são os alvos de algumas das novas plataformas.

Assim, em vez de fazerem novos programas, muitas dessas plataformas servem como trampolim de uma oferta já existente, mas precária, que se especializou antes de quebrar a casca do ovo.

A nova televisão não apenas acabou com o "zapping" como o conhecíamos até então, mas também com o conceito do tempo. Uma série não precisa mais durar exatamente 23 minutos porque já não há uma grade de programas com um buraco a ser preenchido.

Fora dos limites temporais, a televisão 'on demand' oferece infinitas possibilidades e agora um mesmo programa pode durar 35 minutos em certo dia, mas 49 no dia seguinte.

Para Owens, o fim do cronômetro se traduz em uma multiplicação de possibilidades criativas que abre as portas para satisfazer novas demandas.

Enquanto a televisão tradicional se viu ultrapassada pelo tempo, pessoas como Owens admitem que as novas tecnologias permitem conhecer melhor o consumidor.

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