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Diretor da OMC diz que protecionismo terá consequências negativas globais

Paris, 31 jan (EFE).- O diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), o brasileiro Roberto Azevêdo, afirmou nesta terça-feira (31) que o protecionismo terá consequências negativas globais e alertou que os países mais pobres terão mais a perder.

Em várias referências às medidas protecionistas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Azevêdo foi taxativo em afirmar que "todo o mundo perderá" com o fechamento das fronteiras para o comércio.

O diplomata brasileiro, porém, reconheceu que o liberalismo comercial internacional também tem impactos nem sempre positivos, em particular nas economias avançadas, que sofrem com uma maior pressão no mercado trabalhista.

As declarações foram dadas durante um colóquio organizado pelo Tesouro Público da França em Paris sobre a abertura comercial, o crescimento econômico e as desigualdades.

Azevêdo defendeu, em resposta às críticas de que a globalização é a responsável pela destruição dos empregos, que 80% dos postos de trabalho que desaparecem são devido às mudanças tecnológicas.

"Se acusa e se atribui toda a responsabilidade ao comércio. Não apresentam boas soluções. O protecionismo não vai melhorar as coisas", indicou o diplomata brasileiro.

O diretor-geral da OMC alertou que 50% das pessoas empregadas nos EUA correm risco de serem substituídas por robôs e pediu para que explicações simplistas sejam evitadas. Para ele, diante do desafio, é essencial investir em formação e readaptação das consequências trabalhistas.

Sobre o aumento das desigualdades também estar vinculado à globalização, Azevêdo disse que há muitas assimetrias provocadas por políticas nacionais e pela ausência de mecanismos de redistribuição de riqueza em vários países.

"Não podemos ignorar esses desafios. É preciso apresentar soluções, mas isso não será obtido fechando as fronteiras. É necessário descobrir como repartir os lucros, reduzindo assimetrias induzidas", explicou o diretor-geral da OMC.

O economista-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, indicou que entre 1990 e 2010 o índice de desigualdade aumentou significantemente nos EUA, enquanto a taxa reduziu na Dinamarca sob as mesmas condições tecnológicas. Para ele, isso mostra que políticas diferentes têm consequências diferentes.

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