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Amazon amplia seu império comercial com aquisição da rede Whole Foods

Agustín de Gracia.

Nova York, 16 jun (EFE).- A gigante de comércio eletrônico Amazon demonstrou mais uma vez nesta sexta-feira como está se impondo no setor do comércio varejista ao anunciar a compra da rede de supermercados Whole Foods, uma operação avaliada em US$ 13,7 bilhões.

A fusão, que deve ser concluída no segundo semestre deste ano, implica que a Amazon também assumirá a dívida da rede de supermercados, fundada em 1978 e que tem 460 lojas em Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

A Amazon, que começou como uma loja de livros pela internet em 1994, transformou-se numa gigante do comércio eletrônico para todos os tipos de produtos, e agora amplia sua presença com a maior operação na história da companhia.

O passo dado pelo Amazon representa um avanço gigante, mas também mais arriscado, a partir de uma série de decisões anteriores que incluíam o comércio eletrônico de alimentos frescos e a abertura de uma rede de lojas físicas.

"Milhões de pessoas amam (o supermercado) Whole Foods Market porque eles oferecem os melhores alimentos naturais e orgânicos, e tornam a alimentação saudável divertida", afirmou Jeff Bezos no comunicado que informa sobre esta operação.

"A Whole Foods - acrescentou Bezos - vem satisfazendo, causando deleite e alimentando seus clientes durante quase quatro décadas. É um trabalho incrível e queremos que isso continue".

A rede de supermercados, líder em produtos orgânicos, estava apresentando reflexos da crise que o setor comercial varejista tradicional vem atravessando frente ao avanço dos negócios eletrônicos.

De fato, importantes acionistas da rede vinham pressionando em favor de uma fusão. As vendas da Whole Foods em todos os trimestres desde setembro de 2015 e os papéis da companhia perderam a metade de seu valor desde o recorde alcançado em 2013.

Hoje, a Amazon anunciou que pagará US$ 42 por cada ação da Whole Foods, muito além dos US$ 33,07 cotados no fechamento da sessão de ontem na Bolsa de Valores.

O anúncio teve um impacto importante para os papéis da Amazon, já que os mesmos subiram 3,1% após 120 minutos de pregão em Wall Street e, como era de se esperar, eram os mais ativos no setor tecnológico.

Entre a concorrência, os títulos da Wal-Mart, a rede de comércio varejista mais importante dos Estados Unidos, estavam caindo 5,5%.

De acordo com o anúncio da Amazon, que tem sua sede na cidade de Seattle, no noroeste dos EUA, a Whole Foods continuará operando com essa marca, muito difundida e conhecida entre os mais jovens, amantes dos alimentos orgânicos, e entre as classes mais abastadas dos Estados Unidos.

Além disso, John Mackey, fundador da rede de supermercados, seguirá à frente da companhia, cuja sede principal fica em Austin, no estado do Texas.

"Esta operação representa uma oportunidade para maximizar os lucros dos acionistas da Whole Foods Market e, ao mesmo tempo, ampliar nossa missão e contribuir para melhorar a qualidade, a experiência, a conveniência e a inovação para nossos clientes", afirmou Mackey.

A operação, além dos reflexos positivos no mercado financeiro, está sendo muito bem recebida pelos analistas.

"A marca (Whole Foods Market) é um bom complemento para a Amazon e permitirá uma estratégia mais agressiva no mercado de entrega de alimentos frescos em domicílio", afirmou à emissora financeira "CNBC" o diretor da firma Technomic, Darren Tristano.

No entanto, os especialistas também destacaram a diferença de modelo entre as duas companhias, já que a Amazon é fundamentalmente uma plataforma para a venda de produtos a preços mais baixos, enquanto a Whole Foods tem seu foco nas classes mais abastadas.

A compra da Whole Foods permite que a Amazon consolide posições no setor do comércio de alimentos e representa uma dificuldade adicional para as tentativas da Wal-Mart de ampliar sua presença no comércio eletrônico.

A operação de fusão acontece em um momento no qual o comércio varejista dos Estados Unidos vem sofrendo uma profunda crise pela queda de suas vendas e que está afetando enormes grupos do setor, como Macy's e JC Penney.

As vendas nas lojas tradicionais seguem caindo nos EUA enquanto as da Amazon, por exemplo, cresceram 23% no primeiro trimestre deste ano, o que reflete uma mudança de comportamento entre os consumidores.

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