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Tecnologia no setor elétrico brasileiro pode ajudar a criar cidades digitais

26/10/2017 18h13

São Paulo, 24 out (EFE).- Cidades podem se tornar "inteligentes" com a otimização de serviços através de tecnologias e redes digitais, mas, para isso, precisam de políticas públicas que assegurem a implementação e a confiança dos usuários, segundo especialistas.

Lixeiras que avisam quando estão cheias, sistema de esgoto automatizado e distribuição de energia gerenciada remotamente por computador são algumas das possibilidades oferecidas pelo uso das tecnologias nos serviços públicos que podem tornar, assim, uma cidade "inteligente".

Algumas empresas estão tentando se aproximar de órgãos do governo para propor a utilização de tecnologia, mas ainda têm problemas causados pela falta de políticas públicas e desconfiança em relação à segurança da rede. Esta avaliação foi feita em entrevista à Agência Efe por Gardner Vieira, gerente geral no Brasil da Silver Spring Networks, uma das empresas líderes mundiais em plataforma e soluções para redes e cidades inteligentes.

Segundo Vieira, há três anos a tecnologia de redes de comunicação por radiofrequência (RF Mesh) tem se mostrado "robusta e eficiente" nas aplicações feitas na iluminação pública, e uma das práticas é o controle remoto vai rede digital de comunicação.

"Potencialmente, no Brasil, já existem cidades com a obrigação de implementar soluções de iluminação pública digitalizada, mas ainda há muitos desafios, como desmitificar a questão da segurança de rede. Outro é a robustez da rede, para que, por exemplo, ela possa controlar se vai acender ou apagar um semáforo remotamente", explicou Vieira.

A empresa já opera em países como França, Dinamarca e Emirados Árabes Unidos, e no Brasil tem projetos em desenvolvimento com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL Energia) para testar métodos de medição e otimização da distribuição de energia.

O gerente de engenheria de smart grid da CPFL, Jefferson Scudeler, responsável pela implementação de novas tecnologias de medição de energia, conta que a empresa investiu em uma infraestrutura de comunicação para atender clientes comerciais e residenciais de média e alta tensão e que o uso "trouxe melhoria na área de medição inteligente".

"Estamos há mais de dois anos operando com redes de comunicação digitais, que se mostraram muito estáveis e com resultados muito bons, gerando automação da distribuição através de redes mais confiáveis e robustas", detalhou.

Scudeler também destacou que a falta de políticas públicas atrapalham a otimização dos serviços através de tecnologias.

"O modelo de negócio de energia elétrica e a melhoria de serviços só são possíveis com aplicação de tecnologia para podermos elevar nossos serviços, e é nisso que nós apostamos e investimos ao longo dos anos", explicou.

De acordo com Vieira, o mais importante é ter "visão para uma plataforma de multiplicação de soluções" com sistemas inteligentes de gestão de esgotos, semáforos, lixeiras, água e luz através de alta conectividade em grandes escalas.

Ele destaca que as redes sem fio por radiofrequência e outras tecnologias já têm eficiência comprovada mundialmente, mas no Brasil isso não acontece por falta de "política de incentivo e modelos de negócios que flexibilizem mais a implementação", já que testes em cidades brasileiras já acontecem.

O gerente geral da Silver Spring no Brasil explica que a aplicabilidade de tecnologia no setor de energia é mais fácil, "porque ela está presente em grande parte de casas, tem medidor, tem fornecimento diário", mas o problema é a limitação da regulamentação deste setor.

O gerente da CPFL, por sua vez, enfatiza o avanço da distribuição de energia com redes de comunicação digital, mas ressalta que são necessárias políticas para avançar no tema e que outras empresas comecem a investir em tecnologia voltada para cidades.

"Não é uma questão de incentivo, mas sim uma política pública", frisou.

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