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China aplica tecnologias para "ler a mente" na indústria e no Exército

30/04/2018 10h47

Pequim, 30 abr (EFE).- Firmas tecnológicas chinesas com apoio do Governo estão desenvolvendo sistemas de "leitura de mente" capazes de determinar o estado emocional de uma pessoa, que já aplicam em fábricas, hospitais, trens e até no Exército, informou nesta segunda-feira o jornal "South China Morning Post".

Embora outros países, como Estados Unidos, disponham de tecnologias similares, a China é o primeiro que deu um uso prático e de forma tão extensiva, destaca o jornal de Hong Kong, que adverte que estes avanços impõe dilemas éticos.

Para "ler a mente", são utilizados pequenos sensores sem fio em contato com a cabeça, frequentemente ocultos sob capecetes ou bonés, que monitoram constantemente as ondas cerebrais do sujeito e enviam dados a computadores que utilizam algoritmos de inteligência artificial para medi-los.

Isto permite detectar emoções como depressão, ansiedade e raiva, algo que por exemplo é utilizado nas ferrovias de alta velocidade na China: se um destes sensores descobre que o maquinista sente sono, soa um alarme na cabine.

O uso também tem se estendido a fábricas e centros industriais, segundo o jornal, que usa como exemplos a linha de produção de equipamentos de telecomunicações da Zhongheng Electric, em Hangzhou (leste), ou a companhia elétrica dessa mesma cidade, instalações onde um erro humano pode causar muitas perdas econômicas.

"Quando o sistema lança uma advertência, o chefe pede ao seu empregado que pegue um dia de descanso ou o transfere a um posto menos crítico. Alguns trabalhos requerem alta concentração e não cabem erros", explica o professor de neurociência e psicologia cognitiva Jin Jia, da Universidade de Ningbo (este).

Essa universidade é um dos principais centros de pesquisa das tecnologias de leitura cerebral, através de seu projeto Neuro Cap, financiado pelo Governo chinês.

Este tipo de sensores foram utilizados também em operações militares chinesas, confirmaram desde o projeto, embora não tenha dado mais detalhes dados o sigilo que costuma rodear as Forças Armadas chinesas.

Responsáveis destes programas na China reconhecem o temor de que a leitura de mentes pode despertar em muitos, da mesma forma que outras tecnologias que o país está desenvolvendo, como os sistemas de reconhecimento facial.

"Acreditam que podemos ler as mentes, o que causa incômodo e resistência no início, mas passado um tempo, se habituam com o aparelho, que tem o aspecto de um capacete de segurança ", explicou ao jornal "South China Morning Post" o professor Jin Jia.

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