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Estudo aponta para maior risco de diabetes e câncer em trabalhadores noturnos

2018-05-22T20:05:00

22/05/2018 20h05

Denver (EUA), 22 mai (EFE).- Um estudo publicado pela Universidade do Colorado em Boulder nesta terça-feira revelou que trabalhadores noturnos e alunos que estudam de madrugada correm um risco maior de sofrer de diabetes e câncer por conta das mudanças nos níveis de proteína no sangue.

A pesquisa indica que as atividades feitas durante a noite são capazes de causar esta alteração sanguínea, o que, por sua vez, modifica o metabolismo e as funções imunológicas, afetando os padrões de sono e de alimentação.

A questão tem amplas repercussões em nível global, já que 20% dos trabalhadores do mundo (cerca de 600 milhões) cumprem jornada noturna.

"Quando experimentamos algo como descompensação horária (conhecida como "jet lag") ou alguns dias de trabalho noturno, rapidamente modificamos a nossa fisiologia normal de uma maneira que, se contínua, será prejudicial para a nossa saúde", afirmou Kenneth Wright, que comandou o estudo.

O diretor do Laboratório de Sono e Cronobiologia e professor do Departamento de Fisiologia Integrativa na Universidade de Colorado em Boulder disse que o levantamento foi focado em 1.129 proteínas e descobriu que 129 delas apresentam alterações se o período de repouso ou de alimentação são modificados.

Para chegar a esta conclusão, Wright e seus colegas examinaram seis homens, todos eles com pouco mais de 20 anos, que passaram várias noites no hospital da universidade em uma situação controlada que simulava o trabalho noturno.

Os voluntários já apresentavam efeitos negativos de saúde no segundo dia de "trabalho" à noite, afirma a pesquisa.

De acordo com o diretor, a importância do estudo reside no fato de que agora existe a certeza de que o sangue sofre alterações de acordo com as variações de horários de trabalho, alimentação e sono, e os hospitais poderão desenvolver novos procedimentos para extrair amostras sanguíneas em horários apropriados.

Por sua vez, a descoberta permitirá aos médicos realizarem melhores diagnósticos e determinarem com maior precisão em qual momento um paciente deve receber tratamento ou remédios.

Por isso, Wright antecipou o desenvolvimento de tratamentos para "proteger os trabalhadores noturnos dos perigos à saúde".

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