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China e UE rejeitam tarifas de Trump, mas mantêm disputas comerciais

25/06/2018 09h54

Pequim, 25 jun (EFE).- China e União Europeia (UE) rejeitaram nesta segunda-feira as medidas protecionistas unilaterais do Governo americano de Donald Trump contra ambas, embora Bruxelas tenha insistido em suas grandes queixas contra as práticas comerciais de Pequim.

Uma nova edição do diálogo econômico de alto nível entre as duas potências econômicas mostrou que Bruxelas e Pequim, pelo menos, apostam por manter as disputas no marco da Organização Mundial de Comércio (OMC), e ambas acordaram em criar um grupo para estudar a modernização dessa instituição.

"As duas partes acordaram se opor ao unilateralismo e ao protecionismo" nas relações comerciais, garantiu o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, depois de se reunir com Jyrki Katainen, comissário europeu de Crescimento, Investimento e Competitividade.

Em uma declaração conjunta perante a imprensa em Pequim, Liu, o principal responsável econômico do Governo chinês, disse que seu país e a UE acreditam que essas práticas podem "ter impacto na economia global" ou inclusive que a levem a uma "recessão".

Esta reunião de responsáveis econômicos da UE e da China aconteceu depois que o Governo dos EUA iniciou ou ameaçou nas últimas semanas impor diferentes tipos de tarifas a produtos da China e a UE.

Essas medidas impulsionadas pelo presidente Trump foram rechaçadas por Pequim e Bruxelas, que por sua vez começaram a aplicar tarifas a produtos procedentes dos EUA como represália.

Além da tarifas a vários produtos, Washington planeja limitar os investimentos tecnológicos chineses nos EUA, enquanto ameaça impor novas tarifas sobre os automóveis europeus após atingir a UE (igualmente que a outros países) com medidas similares ao aço e alumínio.

Liu também insistiu que a China e o bloco europeu defendem um sistema de comércio multilateral centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC) e baseado em regras.

Por sua vez, Katainen recalcou que durante o encontro foram discutidos amplamente estes assuntos, mas lembrou que é preciso "fazer mais do que falar".

Neste sentido, insistiu que é preciso demonstrar que o atual sistema comercial é justo e "beneficia ambas as partes".

Em entrevista coletiva posterior, o político finlandês apontou claramente contra as práticas restritivas chinesas, como as subvenções de Pequim às suas indústrias, o fechamento de grande parte do seu mercado e as transferências forçadas de tecnologia ocidental a parceiro chineses.

Essas práticas são "uma das razões pelas quais os EUA tomaram medidas unilaterais, mas temos que solucioná-las de forma ordenada", disse.

"A União Europeia está aberta aos investimentos chineses e nossos cidadãos pedem reciprocidade" no acesso ao mercado do gigante asiático, insistiu Katainen, que também se reuniu hoje com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang.

Neste sentido, ressaltou que as restrições chinesas ao investimento exterior em muitos setores de sua economia são uma queixa recorrente das empresas europeias, e lembrou que o investimento das companhias da UE no exterior está subindo, mas se reduz na China inclusive apesar do sólido crescimento da economia deste país.

O diálogo econômico de hoje em Pequim, o sétimo de alto nível entre UE e China, também serviu como preparativo para a cúpula que realizarão ambas as partes no país asiático em julho.

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