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Mercosul ratifica vontade de concluir acordo com UE este ano ou em 2019

2018-12-06T18:25:00

06/12/2018 18h25

Brasília, 6 nov (EFE).- Os chanceleres dos quatro países do Mercosul ratificaram nesta quinta-feira sua determinação de chegar a um acordo comercial com a União Europeia (UE) neste ano ou no primeiro trimestre de 2019, embora ainda persistam dificuldades "técnicas" e "políticas".

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, e seus homólogos da Argentina, Jorge Faurie; do Paraguai, Luis Alberto Castiglioni; e do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa; analisaram hoje em Brasília o processo negociador, que continuará a partir da próxima segunda-feira em Montevidéu, onde técnicos de ambas partes farão uma nova rodada de consultas.

Essa nova rodada de contatos será realizada uma semana antes da Cúpula do Mercosul, que acontecerá também em Montevidéu nos próximos dias 17 e 18 de dezembro, e à qual os líderes do bloco sul-americano "gostariam de chegar com esse assunto resolvido", segundo disseram à Agência Efe fontes ligadas à negociação.

O chanceler uruguaio, cujo país exerce a presidência semestral do Mercosul, afirmou a jornalistas que o bloco sul-americano continua empenhado em fechar o acordo comercial no prazo mais breve possível.

"Temos muitas expectativas de fechá-lo (neste mesmo ano), mas não vamos fixar datas", declarou Nin Novoa junto aos outros três chanceleres, entre os quais só se pronunciou Nunes, para ressaltar que é necessário aproveitar o "impulso significativo" que as negociações tiveram desde 2016.

Segundo Nin Novoa, se não for possível concluir as conversas antes do final do ano, o término do processo ficaria pendente para os "primeiros três meses" de 2019, pois seria preferível que acabe antes das eleições parlamentares europeias, previstas para maio.

O chanceler uruguaio explicou que atualmente se analisam "dois níveis de assuntos", tantos técnicos como políticos, que não detalhou totalmente, embora tenha dado algumas pistas.

"Os assuntos mais complexos são as assimetrias" quanto ao acesso aos mercados que oferecem uma e outra parte, disse.

Segundo explicou, enquanto o Mercosul oferece aos europeus um acesso mais amplo aos seus mercados, a UE só põe sobre a mesa "algumas porções".

O uruguaio também afirmou que "outro tema é que a UE tem um nível de subsídios para sua produção que torna desvantajosa a negociação" para o Mercosul e que ainda deve ser discutido em nível técnico.

Nin Novoa não esclareceu os pontos "políticos" pendentes, mas deu a entender que a proximidade das eleições europeias de maio está entre eles, pois uma mudança na composição atual do parlamento do bloco comunitário poderia influenciar nas discussões.

O chanceler uruguaio ainda evitou comentar as declarações do presidente da França, Emmanuel Macron, que submeteu o apoio do seu país às negociações à posição que finalmente adote o presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre o Acordo de Paris contra a Mudança Climática.

Segundo Macron, a França não será favorável a que se assinem acordos comerciais amplos com países contrários ao Acordo de Paris, que foi criticado por Bolsonaro, que chegou até a sugerir que o Brasil pode abandonar esse pacto global, que já ratificou.

"Não é oportuno que os chanceleres falem das declarações dos presidentes", disse Nin Novoa.

Sobre esse ponto, acrescentou somente que no Brasil houve uma eleição vencida por Bolsonaro e que as "decisões dos povos devem ser respeitadas".

Também declarou que, de forma individual, tanto ele como outros dos chanceleres do Mercosul se reuniram com o futuro ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, embora não tenha revelado o teor das conversas.

Fontes ligadas à negociação entre os dois blocos disseram à Efe que, enquanto o Mercosul se esmerou "em melhorar sua oferta", do lado europeu até agora "não houve muitas novidades" com relação à última rodada negociadora, realizada há um mês em Bruxelas.

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