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Nova York brilha como centro tecnológico e alternativa ao Vale do Silício

22/12/2018 06h03

Mario Villar.

Nova York, 22 dez (EFE).- Os novos escritórios de gigantes como Amazon e Google, a aposta do setor financeiro na tecnologia e as mais de 7 mil startups consolidaram definitivamente Nova York como um centro tecnológico e como uma possível alternativa ao modelo adotado pelas principais empresas do setor no Vale do Silício.

Tradicional capital econômica e cultural dos Estados Unidos, Nova York vem se tornando também uma cidade tecnológica, mas que busca se diferenciar das competidoras que ficam na costa oeste do país.

"Nova York está crescendo a sua própria maneira", explicou Bryan Lozano, responsável para Assuntos Externos da Tech: NYC, uma organização que representa o setor tecnológico na cidade.

Com o Vale do Silício abalado por escândalos e questionado pelo isolamento das pessoas que lá trabalham da realidade americana, Nova York se promove como a cidade onde os gênios da tecnologia dividem o metrô com o restante da população e como mercado para que o setor ofereça soluções para outras indústrias já estabelecidas.

"Todos usamos os mesmos transportes, caminhamos pelas mesmas calçadas. Temos uma cidade muito diferente nesse sentido e isso cria oportunidades para construir relações, não só com empresas de tecnologia, mas com outras indústrias", afirmou Lozano.

Um exemplo disso é que muitas das vagas de trabalho do setor em Nova York estão em empresas de saúde ou financeiras. Três dos principais bancos americanos, o BNY Mellon, o JPMorgan Chase e o Morgan Stanley figuram entre as companhias que mais procurão mão de obra qualificada em questões tecnológicas na cidade.

Veículos de comunicação com forte presença digital, como Bloomberg, Buzzfeed, Vice ou o Grupo Oath (HuffPost, Tumblr ou Yahoo) também são atores-chave. Além disso, crescem cada vez mais empresas que oferecem serviços tradicionais, mas de uma perspectiva nova, como a empresa de seguros médicos Oscar ou o serviço de entrega de comida Blue Apron.

O próximo grande salto chega pelas mãos de gigantes da internet, que renovaram seu interesse pela cidade.

A Amazon, que já tem mais de 2 mil funcionários na cidade, anunciou em novembro que construirá um novo "quartel-general" no Queens, empregando mais de 25 mil pessoas.

O Google, que possui uma sede no bairro de Chelsea, com 7 mil trabalhadores, planeja adquirir um novo prédio de escritórios, o que pode duplicar o número de funcionários da empresa em Nova York.

Já a IBM escolheu a cidade para instalar suas divisões de inteligência artificial e serviços na nuvem.

Além delas, várias startups estão totalmente estabelecidas no "Beco do Silício", o trocadilho usado para falar sobre o novo foco tecnológico nova-iorquino.

No total, segundo dados oficiais, o setor digital e de tecnologia emprega 135 mil pessoas em Nova York, número maior do que o dobro registrado em 2010. No entanto, outros cálculos, mais amplos ao ampliar o conceito do que é um trabalho nesse âmbito, indicam que 300 mil pessoas atuam em funções ligadas à tecnologia na cidade.

Em 2017, as startups nova-iorquinas receberam US$ 12 bilhões em financiamentos, quase o dobro do obtido três anos antes, números que só são superados nos Estados Unidos pelo Vale do Silício.

A população local, no entanto, segue vendo com receio esse "boom tecnológico", especialmente a chegada de empresas como a Amazon.

Desde que a companhia fundada por Jeff Bezos anunciou a abertura da nova sede, Nova York foi palco de diferentes protestos de moradores da região onde a empresa se instalará, preocupados com a elevação do custo de vida e com os auxílios que os governos da cidade e do estado darão para a Amazon.

A indústria entende a reação, garante Lozano, que ressalta que o crescimento do setor será benéfico para toda a população e defende a ideia de que as empresas têm um enfoque diferente em Nova York.

"Há um compromisso delas em melhorar Nova York no seu conjunto", afirmou. EFE

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