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Banco Central diz que inflação vai "demorar muito" para cair na Argentina

23/01/2019 21h01

Buenos Aires, 23 jan (EFE).- O vice-presidente do Banco Central da Argentina (BCRA), Gustavo Cañonero, reconheceu nesta quarta-feira que o país precisará de "muito tempo" para conseguir reduzir a inflação, que fechou 2018 em 47,6%, valor mais alto em 27 anos.

"Os desafios que o Banco Central ainda enfrenta são múltiplos e complexos. Vamos levar muito tempo para reduzir a inflação no país depois de todos os episódios que vivemos", disse Cañonero em entrevista coletiva em Buenos Aires, substituindo o presidente da entidade, Guido Sandleris, que está no Fórum Econômico Mundial.

Ao divulgar o primeiro relatório de política monetária após a inflação recorde de 2018, Cañonero disse que os números mostram a gravidade do problema argentino e ressaltou que o país ainda está "muito longe de resolvê-lo".

Apesar das declarações, o vice-presidente do BCRA ressaltou que está conseguindo "desacelerar" a inflação. Em dezembro, o índice avançou 2,6%, um recuo em relação ao pico de 6,5% registrado em setembro. Por esse motivo, Cañonero avaliou que a nova política monetária em implementação desde outubro está funcionando.

Após duas fortes desvalorizações do peso argentino em relação ao dólar que fizeram a inflação disparar e levaram o país ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o BCRA parou de imprimir novas moedas e adotou um sistema de congelamento da base monetária.

"A inflação está caindo, a demanda por pesos começa a se recuperar e as engrenagens do sistema monetário começaram a mostrar seu papel", explicou Cañonero.

Como parte da política adotada após acordo com o FMI, o BCRA estabeleceu uma faixa de não intervenção na cotação do peso frente ao dólar. Desde então, a entidade só precisou comprar a moeda americana no mercado uma única vez neste mês de janeiro, comprando US$ 209 milhões.

O BCRA decidirá no fim do mês se modificará a faixa de intervenção no mercado cambial. No entanto, o vice-presidente da entidade ressaltou que não há intenção de modificá-las até então.

"A taxa de câmbio atual é totalmente normal e sustentável, mas isso pode se distanciar rapidamente do equilíbrio, ainda mais em um país onde as coisas mudam tão rápido", concluiu. EFE