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Tensões no comércio internacional geram perda de confiança dos investidores

24/01/2019 13h34

Davos (Suíça), 24 jan (EFE).- As tensões comerciais e a crise que afeta a Organização Mundial do Comércio (OMC) estão amplificando a desconfiança entre empresários e pessoas de negócios, que começaram a reavaliar os planos de investimento, disse nesta quinta-feira o executivo-chefe do Deutsche Bank, Christian Sewing.

"O problema real é a percepção do problema e que a confiança está se perdendo, o que faz muitos responsáveis de negócios reavaliarem seus investimentos", disse o banqueiro em uma sessão do Fórum de Davos dedicada a avaliar a situação atual do comércio mundial.

Esta temática atraiu grande interesse nesta 49ª edição da reunião que é organizada todos os anos, o Fórum Econômico Mundial na cidade suíça de Davos, diante da forte tensão comercial existente entre os Estados Unidos e a China, e a incapacidade da OMC de avançar em acordos que envolvam totalmente seus 164 membros.

Sewing disse que o sentimento atual é de desconfiança "e isto significa demoras ou a interrupção de investimentos, à espera de que sejam encontradas soluções políticas".

O executivo-chefe sustentou que este efeito ainda não foi visto nos números macroeconômicos globais que eram manejados, mas garantiu que não demorarão a perceber.

O responsável executivo do Deutsche Bank estendeu esse sentimento de receio aos cidadãos de diferentes países, que não entendem que benefícios concretos podem obter da abertura comercial.

Sewing explicou que na Alemanha os banqueiros notam claramente essa atmosfera negativa e lembrou que "80% dos ingressos das empresas que cotam no DAX (índice de referência da Bolsa de Valores de Frankfurt) são gerados no exterior", o que põe em evidência a importância do comércio internacional para este país.

Na sessão também participou a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, que explicou que diante do protecionismo, das disputas comerciais e da atuação de certos países sem respeito das normas comerciais, "a contrareação dos países que acreditam que o comércio é bom foi optar pelos acordos bilaterais ou regionais".

Sewing lembrou que a UE tem "uma agenda comercial extremamente ambiciosa" com vários acordos comerciais que estão sendo negociados, "em processo nos quais está incorporando os cidadãos e não só os empresários". EFE