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Mercosul procura ser fornecedor de alimentos da Asean nos próximos 50 anos

07/03/2019 16h26

Assunção, 7 mar (EFE).- Empresários dos países do Mercosul - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - querem se transformar em um dos principais "fornecedores de alimentos" para a Associação de Países do Sudeste Asiático (Asean), uma das regiões que mais crescerá nas próximas cinco décadas.

Essa é a intenção dos empresários que compõem a Câmara de Comércio Mercosul-Asean, cujo presidente, Rodolfo Caffaro, se reuniu nesta quinta-feira em Assunção com o chanceler paraguaio, Luis Alberto Castiglioni, a quem transmitiu a necessidade de uma "aproximação" com essa região do mundo, que tem para o Mercosul um "enorme potencial" comercial.

Caffaro explicou que os dez países que formam a Asean, com "650 milhões de habitantes e um crescimento médio em torno de 6,5% ou 7%", serão "muito importantes", em termos de consumo, "nos próximos 50 anos", já que "quase 60% da classe média mundial, entre 2025 e 2030, estará estabelecida nessa região".

Esse aumento da classe média no Sudeste Asiático provocará, na opinião do presidente da Câmara de Comércio Mercosul-Asean, um "déficit" alimentício que o Mercosul tem o "potencial" de cobrir.

"É uma oportunidade única" para o bloco, reiterou Caffaro.

Nesse sentido, o presidente da câmara comercial informou que sugeriu ao chanceler que explore "a possibilidade de ter mais presença" diplomática nessa região do mundo.

Além disso, Caffaro ofereceu "apoio" do órgão para "divulgar os produtos" paraguaios no entorno da Asean e "suas facilidades ao investimento estrangeiro", com o objetivo de estabelecer e ampliar as relações comerciais bidirecionais.

Caffaro acrescentou que as relações comerciais que estão tentando abrir com o Sudeste Asiático, mediante "uma série de acordos", que ele não detalhou, "para os quais estamos iniciando as negociações", estarão emolduradas em um "modelo" de associação entre as partes compradora e vendedora, como "dois sócios na cadeia de valor", para que ambas as partes se beneficiem e "tenham o mesmo interesse".

Com relação à possibilidade de esses acordos comerciais suscitarem certa "concorrência" interna entre os países do Mercosul, que no setor alimentício têm produções similares, Caffaro garantiu que "não há possibilidades de que isso aconteça" pelos volumes "de vendas", que superarão as capacidades individuais dos quatro países.

"Se temos alguma concorrência, temos com os países que hoje estão fornecendo" para a Asean, "mas estes também não vão alcançar" os volumes de produção necessários para o aumento da demanda prevista para o Sudeste Asiático.

A Asean é um dos blocos com os quais o Mercosul tenta atualmente fechar acordos de livre-comércio, e também com Canadá, Singapura e União Europeia; este último paralisado pela falta de acordo, após duas décadas de negociações. EFE