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Opep e sócios adiam para junho decisão sobre redução da produção de petróleo

18/03/2019 13h34

Baku, 18 mar (EFE).- A Opep e seus aliados devem cancelar a reunião convocada para abril em Viena, segundo aconselhou nesta segunda-feira o Comitê de Monitoramento Ministerial Misto (JMMC) em Baku, uma decisão que deixará em vigor, pelo menos até o final de junho, a redução de produção estipulada em dezembro.

"Levando em consideração que é improvável que os fundamentos do mercado mudem significativamente nos próximos dois meses, o JMMC do acordo (...) recomenda cancelar a reunião ministerial de abril", afirmou o órgão em comunicado.

"Sentimos que talvez a reunião em abril pode não ser necessária. Mas o Comitê não tem a autoridade suficiente para cancelar essa reunião", disse em Baku o ministro saudita de Petróleo, Khalid Al-Falih.

No entanto, diante da presença dos principais representantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) no encontro do JMMC, estima-se que em breve a decisão seja confirmada oficialmente.

Entre 17 e 18 de abril, os ministros do setor dos países da chamada "OPEP+" (a organização e outros dez produtores - entre eles a Rússia - com os quais selou em dezembro um acordo para reduzir as provisões e evitar assim a queda de preços), iriam se reunir em Viena para decidir se estendem além de junho a política de cortes.

Assim, o próximo encontro ordinário será realizado em 25 de junho, quando "será tomada uma decisão sobre o objetivo de produção para a segunda metade de 2019", indicou o Comitê, reunido durante dois dias na capital do Azerbaijão.

Previamente, o JMMC voltará a estudar a situação em reunião em maio, na cidade saudita de Jidá.

Al-Falih explicou que a recomendação do Comitê correspondia às expectativas de que o mercado seguirá registrando uma oferta excedente durante a primeira metade do ano.

Existe "um consenso crescente (...) de que é prematuro tomar em abril uma decisão sobre a produção para a segunda metade" do ano, afirmou.

O passo dado pelo Comitê também dá tempo para a avaliação do impacto das sanções americanas ao Irã e à Venezuela no mercado petroleiro durante os próximos meses, segundo indicou à agência russa RIA Novosti o ministro kuwatiano de Petróleo, Khaled al-Fadhel.

"Ainda temos que olhar os dados para ver se ocorrem coisas estranhas, mas por enquanto a informação é insuficiente", afirmou.

Neste contexto, Manuel Quevedo, ministro de Petróleo da Venezuela e presidente da companhia petrolífera estatal do país, PDVSA, disse que Caracas poderia redirecionar o fornecimento de petróleo originalmente destinado aos EUA e à Rússia ou outros países.

Em virtude do acordo que entrou em vigor em 1 de janeiro, a OPEP e seus aliados se comprometeram a retirar do mercado entre janeiro e junho deste ano 1,2 milhão de barris diários (mbd) de petróleo: 800 mil por parte dos países-membros e 400 mil dos chamados "NÃO-OPEP".

Dos 24 produtores participantes, a Venezuela, o Irã e a Líbia ficaram isentos do compromisso de limitação devido às quedas involuntárias sofridas por suas indústrias petrolíferas por conta de diversos fatores.

Na reunião de Baku ficou refletido que o cumprimento geral do pacto "alcançou quase por 90% em fevereiro, mais do que os 83% de janeiro", segundo o comunicado do comitê, que acrescentou que "todos os países participantes asseguraram que superarão seus compromissos voluntários de ajuste nos próximos meses". EFE