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Empresa chinesa de correio expresso entrega 14 milhões de pacotes por dia

10/05/2019 10h05

Javier Triana.

Yiwu (China), 10 mai (EFE).- Como música de fundo, bips ininterruptos, e, como paisagem, um rio de caixas de papelão e plástico flui pelas instalações da empresa de correio expresso STO Express, a companhia chinesa responsável pela distribuição de 14 milhões de pacotes por dia em todo o planeta.

Nos 200 mil metros quadrados da planta de sua filial na cidade comercial de Yiwu, no leste da China, funcionários que agem quase como robôs classificam dois milhões desses 14 milhões, uma cifra que chega a 100 milhões por dia no cômputo total do país asiático.

Os caminhões, com caçambas cheias de pacotes, se amontoam no estacionamento do recinto, e vão se revezando para entrar e descarregar no edifício principal.

Este, uma estrutura de cimento com poucas persianas metálicas levantadas pelas quais a luz do sol não entra, é um amontoado de ruídos de máquinas registradoras, uma infinidade de pacotes a serem distribuídos que inundam as esteiras transportadoras e trabalhadores que operam em ritmo frenético e não param um segundo de classificar as remessas.

O salário diário é definido por eles: para cada pacote digitalizado e classificado - eles contam na empresa - o salário-base aumenta o equivalente a 10 ou 11 centavos.

Deng Degeng, presidente da Shanghai X-Tong Group - a empresa proprietária da filial local da STO Express - garantiu à Agência Efe que seus funcionários aparentemente sobrecarregados estão sendo bem pagos em comparação com outras empresas do setor.

Deng fala de salários de até 7 mil iuanes por mês (US$ 1.030) em sua empresa, quando o salário mínimo em Xangai, cidade muito mais cara, era três vezes menor em meados do ano passado.

Em seguida, Deng imediatamente solta outra declaração: "Usamos robôs de maneira habitual porque eles solucionam o problema de pessoal. Leva muito tempo para treinar os humanos. Portanto utilizamos robôs para aumentar nossa eficiência".

"Por exemplo - ilustrou Deng -, se precisamos classificar 20 mil pacotes em uma hora, precisaríamos de 100 funcionários, enquanto só precisamos de 20 ou 30 robôs".

E aí estão, com efeito, robôs que não são mais que uma plataforma amarela e rodas, e que parecem saber com perfeição em que local depositar o pacote para que caia em um determinado recipiente com um destino prefixado.

O número de robôs supera amplamente o de funcionários que depositam neles as cargas.

O que distribuem? Segundo Deng, calcinhas e sutiãs.

"Nossos produtos mais populares são os de uso diário, porque Yiwu tem um setor têxtil pujante, como, por exemplo, no caso das roupas íntimas femininas. E esses são os produtos que mais distribuímos", explicou.

Não só na China. Desta planta saem 100 mil pacotes por dia com destino, sobretudo, ao sudeste asiático.

E à América do Sul, segundo o empresário: "Agora, a América do Sul compra diretamente de nós. Antes, os EUA compravam da China e revendiam na América do Sul, mas agora não. Por isso, a guerra comercial não nos afetou tanto".

Por isso e porque sua empresa recebe os polêmicos subsídios estatais.

Entre 10% e 15% de seus pedidos têm origem nas compras pela internet, uma tendência que cresce sem parar no gigante asiático, onde o frenesi consumista (o próprio governo encoraja uma mudança da economia de manufatura para de consumo) está tendo consequências ambientais catastróficas.

Na filial chinesa da organização ambientalista Break Free From Plastic, os ativistas assinalam que a distribuição de produtos por correio tem um impacto ambiental muito maior que o comércio convencional, e alertam para o uso exagerado de embalagens, cujos materiais não costumam ser reciclados de forma adequada na China.

"O papel e o papelão dos pacotes de correio expresso contêm policloreto de vinila, em sua maioria por causa das fitas adesivas", diz um relatório oferecido pela organização de defesa do meio ambiente.

Enquanto muitos materiais de embalagens como as caixas de papelão ondulado podem ser reciclados ou reutilizados, segundo os ativistas da Break Free From Plastic, a maioria dos resíduos de embalagens expressas terminam em lixões municipais de resíduos sólidos ou incinerados e sem tratamento adequado.

Assim, todos os materiais não biodegradáveis procedentes das 7,8 milhões de toneladas de lixo derivadas do correio expresso na China apenas em 2017 "podem ter grandes implicações ambientais", como a contaminação dos solos.

"Além disso, os materiais plásticos das embalagens (dos quais apenas 2% são reciclados) são produzidos, sobretudo, a partir de películas de uso agrário recicladas e contém resíduos químicos de pesticidas que podem ter grande impacto na saúde de funcionários e consumidores do correio expresso", afirmam os ativistas.

No entanto, enquanto os ativistas da Break Free From Plastic tentam conscientizar o consumidor e fazer com que Pequim ajuste suas normativas ambientais, as projeções indicam que, no ano que vem, o negócio de correio expresso na China distribuirá 70 bilhões de pacotes por todo o mundo. EFE