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Brasil usará pragmatismo na relação econômica com China e EUA, diz ministro

23/05/2019 19h12

Alba Santandreu.

São Paulo, 23 mai (EFE).- O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou em entrevista à Agência Efe que, do ponto de vista econômico, o Brasil aposta no pragmatismo para conciliar as relações com Estados Unidos e China, países que estão no centro de uma disputa comercial.

O governo do presidente Jair Bolsonaro se aproximou ideologicamente dos Estados Unidos e endureceu o tom em relação à China, maior parceiro comercial do país e destino de uma visita oficial do vice-presidente Hamilton Mourão.

Segundo Tarcísio, o Brasil se mostra disposto a atrair investimentos chineses em infraestruturas e abre a porta a todos os que estejam interessados em se submeter às "regras do jogo", como é o caso do grupo espanhol Globalia, dono da Air Europa, primeira companhia aérea com 100% de capital estrangeiro a conseguir autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar no país.

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PERGUNTA: O governo realizou diversos leilões de concessões durante os primeiros 100 dias de mandato. Estão previstas novas concessões ou privatizações na área de infraestrutura este ano?

RESPOSTA: Há um pacote bastante robusto que exige um tempo de amadurecimento. O grosso dessas concessões será realizado em 2020 e 2021, mas hoje temos concessões importantes que serão realizadas este ano. Vamos ter concessões de linhas de transmissão, que são muito importantes. Vamos ter leilões de energia para fornecimento de diversas fontes, principalmente renováveis. Teremos leilões de estradas, ferrovias, concessões portuárias. Leilões de petróleo e gás, o regime de exploração conjunta e o leilão da cessão onerosa, que será o maior leilão de petróleo e gás do mundo. No ano que vem, vamos ter outro pacote, uma licitação de aeroportos em bloco. Na última rodada entrou a Aena, da Espanha, o que nos deixou bastante felizes. Teremos outros 22 aeroportos sendo leiloados.

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P: Receberam o interesse de empresas estrangeiras?

R: Várias, na verdade. Recebemos com frequência investidores estrangeiros. Os projetos foram estruturados dentro de uma realidade de risco-país que é muito interessante, alimenta essas expectativas e o apetite dos investidores. Percebemos firmeza do investidor na profundidade das questões que são postas sobre a mesa. Chegaram com um interesse muito definido. Há um interesse grande nos ativos de infraestrutura.

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P: O mercado revisou para baixo as previsões de crescimento do PIB e está pendente da aprovação da reforma da previdência. A isso se somam alguns desencontros no campo político. A conjunção desses fatores pode diminuir o apetite dos investidores?

R: Acredito que não, porque os investidores pensam nos ativos em longo prazo. Ninguém vai tomar uma decisão de investimento olhando simplesmente a fotografia do momento. Tenho certeza que o sistema da previdência será alterado e isso vai nos oferecer uma solidez fiscal. É uma mensagem de solvência para o investidor estrangeiro. Os investidores estão preocupados principalmente com a qualidade da regulação, o respeito aos contratos e a qualidade do projeto.

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P: O presidente Jair Bolsonaro se aproximou do ponto de vista ideológico dos Estados Unidos, mas a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Como o Brasil pode equilibrar a relação entre as duas potências, protagonistas de uma disputa comercial?

R: Do ponto da condução da política econômica, as relações foram pautadas pelo pragmatismo. O Brasil historicamente tem déficit de poupança interna, sempre teve e vai continuar tendo nos próximos anos. É fundamental contar com países exportadores de capital, onde quer que eles estejam. Para nós não existe nenhum problema em, por exemplo, contar com capital chinês em um empreendimento de infraestrutura, ninguém vai levar a estrutura à China. A estrutura vai se submeter às regras brasileiras. A regulação pode ser submetida a processos de caducidade em caso de descumprimento de contrato. Então, em absoluto, não representa nenhum tipo de temor. As experiências que tivemos são bem-sucedidas, então, bem-vindo todo o capital que queira investir no Brasil e se submeter às regras do jogo. Por outro lado, corresponde a nós estruturar bons contratos com os projetos e garantir a estabilidade na regulação. EFE