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Chade restalebece acesso às redes sociais após 15 meses de censura oficial

13/07/2019 13h12

Yamena, 13 jul (EFE).- O presidente do Chade, Idriss Déby, ordenou neste sábado a todas as operadoras o restabelecimento do acesso às redes sociais no país após mais de 15 meses de censura, segundo anunciou diante dos veículos de imprensa.

"Peço aos serviços em questão que eliminem imediatamente a restrição às redes sociais", disse Déby durante a inauguração do cabeamento de fibra óptica que une seu país com o vizinho Sudão.

Cerca de meia hora depois do anúncio, os cidadãos puderam entrar novamente em seus perfis nas redes sociais, inacessíveis desde 28 de março.

"Esta decisão do chefe de Estado Idriss Déby corresponde essencialmente às queixas da população. Ordenamos a censura das redes sociais por razões de segurança, não para prejudicar os chadianos", declarou à Agência Efe o ministro de comunicações e porta-voz do Governo, Oumar Yahya.

Uma decisão elogiada pelos poucos usuários de internet neste país da África Central, que todo este tempo foram obrigados a usar as conexões VPN (rede privada virtual) para burlar o bloqueio, uma pouca parcela da população capaz de pagar pelo serviço.

No Chade, apenas 5% da população usa ou têm acesso à internet, segundo dados do Banco Mundial de 2017.

"O acesso às redes sociais é um direito, qualquer restrição representa uma violação dos direitos humanos", denunciou o ativista chadiano Alain Didah em declarações à Agência Efe.

Esta notícia bem recebida foi também pela ONG Internet Sem Fronteiras (ISF), que durante meses pediu aos cidadãos que utilizasse as VPN "como uma maneira de desobediência civil" diante de "uma lei injusta", apesar de uso estar proibido por lei.

"Damos as boas-vindas à decisão do presidente do Chade", declarou à Efe seu diretor-executivo, July Owono, "mas seguimos de guarda porque embora a Internet tenha voltado, seu custo de acesso continua sendo demais caro e a qualidade não é boa".

"Seguiremos lutando para que todos os chadianos possam desfrutar de um acesso livre à internet a um custo razoável", avançou Owono.

O Chade está entre os piores países do mundo com relação aos direitos digitais, mas não é o único país africano que sofre com interrupções, sobretudo, em época de eleições e revoltas populares.

Só em janeiro de 2019, os governos da República Democrática do Congo (RDC), do Gabão e do Zimbábue - entre outros - adotaram restrições no acesso à rede; enquanto a junta militar que lidera o Sudão o impôs proibições em 3 de junho, durante mais de um mês, por causa do despejo violento de manifestantes em Cartum. EFE