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Em apoio à Argentina, papa defende direito de países renegociarem dívidas

05/02/2020 20h26

Laura Serrano-Conde.

Cidade do Vaticano, 5 fev (EFE).- O papa Francisco sinalizou nesta quarta-feira que apoia o governo da Argentina na renegociação da dívida contraída com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

As declarações ocorreram durante um fórum sobre economia sustentável e inclusão do Vaticano. Ministros de Economia e Finanças de vários países, além da própria diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, participaram do evento.

Em um discurso de 20 minutos, sem citar diretamente a Argentina, Francisco pediu formas de renegociar dívidas soberanas de países que têm que enfrentar "sacrifícios insuportáveis" para pagá-las.

"Nestes casos é necessário encontrar modalidades de redução, dilatação e extinção da dívida, compatíveis com o direito fundamental dos povos à subsistência e ao progresso", disse o papa.

O pontífice defendeu que as dívidas devem ser pagas com os credores, mas ponderou que não seria lícito cobrar a quitação dos valores enquanto populações inteiras enfrentam a fome e o desespero.

"As pessoas pobres em países muito endividados enfrentam cargas tributárias esmagadoras e cortes nos serviços sociais enquanto os governos pagam dívidas contraídas insustentavelmente", afirmou.

O ministro de Economia da Argentina, Martín Guzmán, também participou do encontro. Ontem, ele se reuniu com Georgieva em Roma para discutir o problema da dívida do país com o FMI, que chega a US$ 44 bilhões.

Guzmán disse hoje que a Argentina quer pagar o que deve ao FMI e a outros credores, mas sem provocar uma recessão profunda no país. Para o ministro, as conversas até então foram construtivas.

"Estamos buscando uma solução, o FMI é um grande credor da Argentina. Tivemos uma conversa muito construtiva, há entendimento mútuo e espero que possamos seguir trabalhando para evitar os resultados do passado", afirmou Guzmán.

O ministro descreveu a dívida como "insustentável" e antecipou que o país não está disposto a aplicar medidas de austeridade, o que poderia deixar ainda mais argentinos em situação de pobreza.

Antes do discurso de Guzmán, a diretora-gerente do FMI também falou no fórum. Assim como papa, Georgieva não citou a Argentina diretamente. Contudo, em um recado aos países latino-americanos, recomendou que os governos arrecadem mais e gastem melhor. EFE

lsc/lvl

(foto)(vídeo)