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Pandemia será como 11/9 para segurança privada, diz diretor da Prosegur

07/05/2020 15h06

Antonio Torres del Cerro, São Paulo, 7 mai (EFE).- A pandemia de Covid-19 levará o setor de segurança privada a "uma nova realidade", como aconteceu após os ataques de 11 de setembro de 2001, segundo o diretor mundial de Segurança da Prosegur, José María Pena.

Em entrevista à Agência Efe, em colaboração com a Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil, Pena analisou os desafios da empresa, uma das maiores empregadoras do país, com quase 55 mil funcionários distribuídos em vários setores.

No Brasil, "estamos implementando um programa para manter os empregos, com ajuda governamental, e estamos reduzindo a jornada de trabalho", disse o executivo, que, baseado em São Paulo, dirige os negócios de Segurança da multinacional espanhola.

A Prosegur, que também atua em países como Argentina, Colômbia e Chile, tem um faturamento anual de cerca de 4 bilhões de euros e dispõe de 9 mil veículos blindados, 500 mil câmeras de monitoramento, 585 mil alarmes instalados e cerca de 100 mil caixas eletrônicos.

Confira a entrevista:.

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Agência Efe: Como uma empresa do tamanho da Prosegur está enfrentando uma crise econômica que parece ser mais dura do que a de 1929?

José María Pena: O primeiro foco tem sido os funcionários. Nós temos uma responsabilidade para com eles. Vimos na Espanha o crescimento da crise e o do número de pessoas infectadas e tivemos a sorte de poder, em alguns países como o Brasil e no resto da América Latina, antecipar medidas como teletrabalho, medidas de segurança, equipamentos de proteção pessoal.

A maioria dos nossos serviços é de vigilância. Eles estão na linha de frente, o que traz motivos para se ter mais cuidado. O que também temos feito é garantir que continuemos a atender nossos clientes (...) Um ponto importante que também faz mais sentido na crise é a solidez financeira do grupo. Sempre fomos uma empresa muito conservadora em termos de gestão de capital, gestão de dívida.

Efe: A Prosegur conta com 55 mil funcionários no Brasil, mais do que na própria Espanha, e está na linha de frente da batalha contra a Covid-19. O senhor tem dados sobre quantas pessoas da empresa foram infectadas? Teve que aplicar alguma medida temporária de renegociação de contratos de trabalho?

Pena: Os dados sobre contágios não são públicos. Sim, já tivemos casos de infecção e não podemos dar (...) Neste momento, qualquer pessoa que tenha um problema respiratório ou gripe está sendo contada como infectada. Portanto, não achamos que este seja um dado realista. Sobre a outra questão, uma das coisas que sempre tentamos fazer foi - e nos preparamos para o futuro pós-coronavírus - manter o maior número possível de empregos.

No caso do Brasil, estamos com o programa de manutenção de empregos e com a ajuda do governo, e também fizemos reduções nas jornadas de trabalho (...) Acreditamos realmente que após a crise temos que estar preparados para uma retomada dos serviços e novas necessidades de serviços.

Efe: Quais são as consequências da crise no setor de segurança privada?

Pena: A segurança pós-Covid terá um cenário igual ao que o 11 de setembro criou para todo o ramo da aviação, etc. Criou uma nova realidade, creio que em tudo referente a controle de acesso, controle de capacidade, etc. (...) Nosso plano estratégico é uma transformação de uma atividade que era muito mais de recursos humanos e gestão de pessoas para uma atividade muito mais tecnológica.

Efe: Em relação a esse novo mundo que nos espera no setor de segurança, existe algum país que já esteja mais avançado nessas práticas? Algum país asiático, a própria China? Tem alguma referência a seguir?

Pena: Os países asiáticos sempre estiveram mais avançados em toda a parte do conhecimento, em toda a parte da aplicação das novas tecnologias. Na Europa sempre tivemos a capacidade tecnológica, mas o que acontece é que na Europa a legislação é mais restritiva, toda a parte de proteção de dados, etc (...) acredito que agora é o momento, não por causa da capacidade tecnológica, mas do ponto de vista mais legal, de ver como vamos regulamentar toda essa situação. Acho que o Brasil, em particular, é um país que sempre se adaptou muito mais rapidamente à tecnologia.

Efe: A China é um regime não-democrático. As democracias liberais europeias e americanas são outra coisa. Até que ponto os legisladores desses países são capazes de abrir mão de alguma privacidade para a segurança, neste caso a sanitária?

Pena: Creio que, no final, há muitos fatores, e temos que procurar qual é o equilíbrio entre segurança e liberdade (...) No final, os riscos de contágio que estamos vendo significam que temos que tomar certas medidas que não foram tomadas até agora (...) Acho que há também duas partes que desempenham um papel fundamental: as autoridades sanitárias (...) e a parte legal de proteção de dados, que têm que garantir que, quando estiverem medindo nossa temperatura, continuemos a manter a liberdade das pessoas.

Efe: O senhor aguarda um cenário com tons apocalípticos no Brasil durante a pandemia?

Pena: Na Espanha, estão falando em queda do PIB por volta de 10%, 11%, 12%. As estimativas neste momento no Brasil são de 5% (...) Dito isto, o maior risco neste momento no Brasil é que a pandemia dure muito tempo, e aí pode haver outras consequências bem conhecidas, ou seja, a situação social, os problemas econômicos que o país tem e as diferenças que podem causar explosões sociais. Em outras palavras, o risco social no Brasil é muito maior do que em outros países.

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