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Superpreços dos grãos são alívio momentâneo para economia argentina

22/05/2021 03h50

Buenos Aires, 21 mai (EFE).- Os elevados preços internacionais dos grãos representam um alívio para a complexa situação monetária e fiscal da Argentina, que neste ano se beneficiará de receitas extraordinárias com as exportações agrícolas.

Apesar de a Argentina ter uma safra agrícola de 2020-2021 inferior à do ciclo anterior, o país se beneficia de um ciclo de alta dos preços internacionais das commodities, que não param de crescer desde julho do ano passado.

Com a safra de milho projetada em 46 milhões de toneladas pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a tonelada foi cotada em torno de US$ 300 (cerca de R$ 1.600) neste mês no mercado internacional, quase o dobro de um ano atrás e valor que não era atingido desde 2013.

A soja, por sua vez, com safra projetada de 43 milhões de toneladas na Argentina, atingiu US$ 610 (R$ 3.260) por tonelada em meados deste mês, o recorde desde 2012.

Os motivos da alta? Uma demanda global aliada a fatores climáticos que reduziram as safras nos principais produtores, entre eles a Argentina, maior exportador mundial de óleo e farinha de soja e terceiro de milho.

"Continuamos com escassez de oferta, pelo menos no curto prazo. O clima nos Estados Unidos em julho e agosto determinará a tendência dos preços", explicou Catalina Ferrari, analista de mercados agrícolas da consultoria AZ Group.

RENDA EXTRAORDINÁRIA.

O forte aumento de preços se traduz em maiores receitas para a Argentina com as exportações agrícolas. Isso traz algum alívio para o país, que vive há três anos uma forte recessão e desequilíbrios macroeconômicos.

Segundo cálculos do Instituto de Estudos sobre a Realidade Argentina e Latino-Americana (IERAL), da Fundação Mediterrâneo, a Argentina pode finalizar neste ano embarques de grãos e seus derivados por US$ 35,9 bilhões, um aumento de US$ 9,6 bilhões na receita em relação ao ano anterior.

O ingresso adicional de divisas vai ajudar a fortalecer as reservas do Banco Central, moderar as expectativas de desvalorização do peso argentino e manter a calma em um mercado de câmbio já bastante restrito.

"Calculamos uma receita extra com as exportações entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões. Isso aumentará as reservas e gerará um guarda-chuva para que não seja necessário que intervir tanto no mercado de câmbio para controlar o preço do dólar", disse Leonardo Piazza, Diretor da consultoria LP Consulting.

O efeito já é visível: nos primeiros quatro meses, a receita cambial das exportações de grãos e derivados foi de US$ 9,75 bilhões.

ALÍVIO MOMENTÂNEO.

Por outro lado, o aumento das vendas ao exterior aumentará a receita do Tesouro com a cobrança de direitos de exportação sobre grãos e derivados.

Segundo cálculos do IERAL, o Tesouro arrecadará neste ano US$ 8,6 bilhões em direitos de exportação, cerca de US$ 2,8 bilhões a mais do que em 2020.

"É um alívio fiscal", observou Piazza, que advertiu que "tudo isso é circunstancial e momentâneo, até que os preços das commodities se estabilizem", e alertou sobre o efeito inflacionário que a alta do preço dos grãos exerce sobre os alimentos.