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Violência no México dispara demanda por blindagens e coletes à prova de balas

25/05/2021 04h04

Eduard Ribas i Admetlla.

Cidade do México, 24 mai (EFE).- O aumento da violência na última década no México fez disparar a demanda por blindagens e coletes à prova de balas, especialmente em tempos de pandemia de covid-19 e eleições em um país onde a indústria de segurança já representa cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Houve um aumento da criminalidade, e tudo o que fazemos é oferecer soluções para que os clientes possam estar seguros e preservar sua integridade e propriedade", disse René Fausto Rivera, presidente do Conselho Nacional da Indústria Balística, criado há apenas três anos para diversificar o setor.

Com quase 100 assassinatos por dia, o México vive uma onda de violência que tem aumentado desde que o então presidente Felipe Calderón (2006-2012) ordenou o uso das Forças Armadas para combater o tráfico de drogas.

Apesar dos meses de confinamento durante a pandemia, o país registrou 34,6 mil homicídios em 2020, um número muito semelhante ao recorde de 2019, quando foram relatados 34,7 mil.

Houve também mais de 800 sequestros e 604 mil casos de roubo, seja de casas, veículos ou a pessoas.

DIVERSIFICAÇÃO DE PRODUTOS.

Como resultado, a demanda por blindagem aumentou "em todos os lugares", seja em joalherias, instalações estratégicas, grandes empresas ou mesmo casas, disse Fausto Rivera.

"Dado o aumento da insegurança, as pessoas estão procurando fazer salas de pânico, em que a porta de acesso à rua seja blindada para proporcionar proteção", acrescentou.

Ainda de acordo com ele, a indústria de segurança, que inclui blindagens, seguranças particulares e sistemas de vigilância por vídeo já representa cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do México.

Nos últimos anos, portas metálicas ou vidros de policarbonato para janelas ou painéis laterais foram aperfeiçoados para suportar o impacto, até mesmo, de um tiro de um fuzil AK-47.

O importante "não é a espessura ou os materiais, mas o desempenho e a composição", disse o empresário.

Isso explica porque um vidro laminado de 45 milímetros pode ser esmagado com uma marreta, enquanto um policarbonato de 12 milímetros pode resistir ao mesmo golpe.

VIOLÊNCIA NA PANDEMIA.

Durante os meses de fechamento da economia por causa da pandemia de covid-19, entre abril e junho do ano passado, muitas empresas de bens de luxo aumentaram seu compromisso com a segurança, mas onde ela era mais perceptível em residências.

"Curiosamente, havia mais demanda nas casas do que nas empresas. Havia um fenômeno muito raro, porque as pessoas estavam mais dentro de casa", disse.

Além disso, em 28 de junho muitos foram abalados pelo ataque com armas de grosso calibre contra o veículo do secretário de Segurança da Cidade do México, Omar Garcia Harfuch, que falhou, mas mostrou a presença sangrenta do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) na capital mexicana.

Desde então, muitos clientes têm solicitado materiais que possam resistir a armas de calibre .50.

"Notamos que em certas áreas corporativas que estão em áreas muito remotas, os administradores estão pedindo para aumentar o nível de risco como proteção", declarou à Agência Efe Fausto Rivera.

COLETES PARA CIVIS.

Enquanto há uma década 90% da demanda de coletes à prova de balas era para a polícia, atualmente os civis já representam 30% dos compradores.

Os coletes têm evoluído de forma a serem cada vez mais ergonômicos e menos pesados, com cerca de três quilos.

"Queremos que a proteção seja a mais confortável possível no caso de um policial e a mais discreta possível no caso de um civil", disse Ignacio Baca, presidente da Comissão de Blindagem Corporal, à Agência Efe.

Os coletes para civis são projetados sem parecerem blindados, porque "a primeira coisa que um agressos vai procurar é atirar onde não há proteção".

Estas peças de vestuário, que custam cerca de US$ 400, têm várias camadas de modo que um tiro de pistola Magnum 44 seja sentido como uma forte pancada, mas que não perfura a proteção.

Coletes à prova de balas discretos são comuns entre funcionários e políticos, especialmente no atual período de campanha para as eleições de 6 de junho, para a Câmara dos Deputados.

"Eles estão sempre procurando por proteção oculta ou simulada. Agora há muitos políticos que os utilizam, especialmente nesta época do ano", afirmou Baca.

Desde setembro do ano passado, pelo menos 80 políticos foram mortos, 32 dos quais concorreriam nestas eleições.