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Chile inaugura 1ª planta de energia termossolar da América Latina

09/06/2021 03h10

Deserto do Atacama (Chile), 8 jun (EFE).- Com quase 10.600 helióstatos (espelhos), 392 mil painéis solares e uma torre de 250 metros de altura, a Cerro Dominador, primeira central de energia solar concentrada da América Latina, foi inaugurada nesta terça-feira no norte do Chile, em pleno deserto do Atacama.

A planta termossolar conta com 1.000 hectares de extensão e fica em uma área com um dos mais altos níveis de radiação solar do mundo, a 100 quilômetros da cidade de Calama. O projeto consiste em dois componentes: um sistema fotovoltaico de 100 MW, em operação desde 2017, e um inovador sistema solar térmico, com 110 MW de capacidade instalada, pioneiro na região e inaugurado hoje.

Os dois componentes, juntos, gerarão uma capacidade total de 210 megawatts e fornecerão energia verde para a rede elétrica chilena.

"É uma fábrica que se encontra na fronteira do conhecimento e da tecnologia. Não há planta que tenha tecnologia melhor do que esta", disse o presidente do Chile, Sebastián Piñera, durante a inauguração.

O projeto ajudará a evitar a emissão de 630 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano, o que equivale à circulação de 135 mil veículos por ano, "mais do que o número de carros que existem nesta região de Antofagasta", acrescentou o presidente chileno.

Com um investimento total de US$ 1,3 bilhão, o complexo é financiado pela União Europeia e pelo banco alemão de desenvolvimento KfW, entre outros, e suas principais construtoras são Acciona e Abengoa, da Espanha.

A planta Cerro Dominador pertence a uma empresa do mesmo nome, que faz parte do conglomerado americano de investimentos EIG Global Energy.

SEGUNDA TORRE MAIS ALTA DO CHILE.

Um dos elementos de destaque do projeto é a torre central de 250 metros onde está localizado o receptor de calor.

Ela é a segunda construção mais alta do Chile, só superada pelo arranha-céus Costanera Center, de 300 metros, que fica em Santiago.

Os helióstatos são espelhos de 140 metros quadrados de superfície refletiva e 3 toneladas de peso cada um, que seguem a trajetória do sol com movimento em dois eixos, refletindo e direcionando a radiação solar em direção ao receptor.

Através deste receptor, os sais derretidos circulam a uma temperatura de 560 graus Celsius, transferindo o calor para um circuito que aciona uma turbina a vapor para gerar eletricidade.

"Os sais fundidos podem ser armazenados por até 17,5 horas, o que permite que o sistema continue operando mesmo sem luz solar direta e produza eletricidade confiável 24 horas por dia", explicou o CEO do projeto, Fernando González.

O Chile, um país de 19 milhões de habitantes e com uma geografia muito extrema, com deserto ao norte e vastas florestas ao sul, é capaz de produzir 70 vezes mais eletricidade do que precisa hoje.

"Era um país pobre nas energias do passado, tínhamos pouco petróleo, pouco carvão, pouco gás, mas imensamente rico nas energias do futuro", afirmou Piñera.

Nos últimos seis anos, a participação da energia solar e eólica na matriz energética do país aumentou dez vezes, e espera-se que a energia renovável atinja 70% até 2030, de acordo com os números oficiais.

Até 2021, disse Piñera, mais projetos de energia limpa serão inaugurados no Chile "do que em toda a história anterior do país", com uma capacidade instalada de quase 6.700 MW.

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