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Ministro alemão afirma que embargo ao petróleo russo já seria 'administrável'

17 de outubro de 2021 - Robert Habeck, presidente de Os Verdes, partido alemão - Christof Stache/AFP
17 de outubro de 2021 - Robert Habeck, presidente de Os Verdes, partido alemão Imagem: Christof Stache/AFP

27/04/2022 19h20Atualizada em 27/04/2022 19h43

O ministro de Economia e Energia da Alemanha, Robert Habeck, afirmou nesta quarta-feira que a Alemanha está prestes a alcançar a independência das importações de petróleo da Rússia, razão pela qual um embargo já seria "administrável" agora.

Antes do início da guerra na Ucrânia, a Alemanha importava 35% do petróleo da Rússia, percentagem que o governo conseguiu reduzir para 12% e que corresponde às importações realizadas através da refinaria de Schwedt, no leste do país.

Como explicou Habeck em um vídeo divulgado pelo Ministério de Economia e Energia, a Alemanha busca alternativas para o uso desta refinaria, operada pela estatal russa Rosneft, e não descartou uma possível desapropriação das instalações.

O ministro destacou que a Rosneft não tem interesse em usar essa infraestrutura para refinar petróleo que não seja russo.

"Se eu ligar para eles e perguntar 'o que você estão fazendo para se tornar independente do petróleo russo?', eles não atenderão o telefone", argumentou, lembrando que durante sua visita de ontem à Polônia explorou com seu homólogo polonês possíveis soluções para substituir importações que chegam a Schwedt.

Varsóvia, por exemplo, poderia fornecer petróleo por via marítima através do porto de Rostock, no norte da Alemanha, mas Habeck disse que o governo polonês, "de forma legítima", se recusa a exportar petróleo para a Alemanha para manter em funcionamento uma planta operada pela Rosneft.

"Mas estamos falando de uma situação em que a Alemanha apoia a Polônia e a Polônia apoia a Alemanha caso a Rosneft não seja mais a operadora da refinaria", disse o ministro sem dar mais detalhes.

Questionado sobre o assunto em entrevista coletiva em Berlim, Habeck afirmou que nenhuma opção pode ser descartada, já que o governo "deve estar preparado para todos os cenários".

"Foi um erro deixar a infraestrutura crítica nas mãos de uma estatal russa", destacou, criticando duramente a política do Executivo anterior a esse respeito.

Por outro lado, salientou que um corte súbito de oferta ou um embargo petrolífero seriam "administráveis" neste momento.

"Isto significa que não seria notado", assegurou, frisando que os preços mais elevados e eventuais interrupções de abastecimento terão de ser considerados, "mas não haverá uma catástrofe econômica nacional".