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Santander destaca reação de Brasil a crise global e reforça aposta do banco pelo país

12/08/2022 03h01

São Paulo, 11 ago (EFE).- O CEO do Santander Brasil, Mario Leão, elogiou nesta quinta-feira a resposta do Banco Central à atual crise econômica global, com uma rápida alta da taxa básica de juros (Selic), e se mostrou otimista em relação à recuperação do país, reforçando a aposta da instituição financeira espanhola pelo mercado brasileiro.

"O Brasil passou por vários ciclos semelhantes ao que estamos vivendo agora, então, com esse benefício do contexto histórico, que as gerações de líderes de Estados Unidos e Europa não necessariamente tiveram, a gente consegue entrar mais cedo e sair mais cedo (da crise), que foi o que o Banco Central promoveu com todo o ciclo de juros", disse o executivo durante a sua participação no Febraban Tech, organizado pela Federação Brasileira de Bancos.

Segundo Leão, é graças a isso que o país, que é o principal mercado do banco espanhol, tem a chance se impor um ritmo diferente ao do resto do mundo, por ter sido mais pragmático e mais rápido, o que lhe permitirá sair de um ciclo de alta de juros antes dos demais e voltar a fomentar outros mercados.

"O FED, nos EUA, está sendo um pouco mais pragmático, que é um pouco da gestão americana, e na Europa eu vejo uma grande oportunidade perdida de fazer as coisas bem e de forma rápida, olhando para casos como o do Brasil", detalhou Leão.

Por outro lado, o CEO do Santander destacou que o Brasil já é um grande player internacional por não estar associado geopoliticamente com nenhuma outra nação, o que favoreceria o país diante de qualquer potêncial conflito em um contexto de escalada de tensões gerado pela guerra na Ucrânia e pela visita da porta-voz do congresso americado ao Taiwan, interpretada como uma agressão pela China.

"A gente tem uma parceria com a China, mas em um conflito potencial o Brasil provavelmente não viraria as costas para ninguém, porque não está vinculado a nenhum grande parceiro. Ele é pró-Estados Unidos, pró-China, pró-Europa, pró-Mercosul", elogiou o executivo.

Diante deste cenário, ele afirmou que em 2023, o país tem uma oportunidade imensa de como Brasil começar a se descolar, e, possivelmente, sair mais cedo do ciclo de aperto econômico e da crise de inflação e desglobalização.

"A gente obviamente fez o trabalho tinha que fazer em controle de inflação, ao mesmo tempo em que conseguimos crescer em um ano em que ninguém acreditava que seriia possível. Então, quem sabe, a gente não vai crescer de novo no ano que vem mais do que se imagina", disse Leão.

Nesse sentido, ele ressaltou que o papel dos bancos para que isso aconteça é seguir investindo, gerando empregos e ampliando e melhorando os serviços oferecidos aos clientes.

"A gente não tem nem o direito de não estar otimista. Da perspectiva do grupo Santander, o Brasil segue sendo o maior negócio, o maior mercado, e a aposta total de que a gente saia mais forte dessa crise, não só o Santander, mas o Brasil como um todo", concluiu o executivo. EFE