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Superávit do setor externo atinge US$ 1,153 bi em abril, mostra BC

Fabrício de Castro e Lorenna Rodrigues

Brasília

Após o superávit de US$ 1,397 bilhão em março, o resultado das transações correntes ficou positivo em US$ 1,153 bilhão em abril. Este total representa o segundo superávit mensal consecutivo e o melhor resultado para abril desde abril de 2007, quando somou US$ 1,744 bilhões. O BC projetava para abril um superávit em conta de US$ 1,4 bilhão.

O resultado do mês passado ficou levemente pior que a mediana positiva de US$ 1,200 bilhão apontada pelo levantamento realizado pelo Projeções Broadcast com 21 instituições, que ia de um superávit de US$ 700 milhões a superávit de US$ 2,400 bilhões. A estimativa do BC é de que o rombo externo de 2017 seja de US$ 30,0 bilhões.

A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 6,742 bilhões em abril, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 2,515 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária em US$ 3,227 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no azul em US$ 1,746 bilhão.

No acumulado do ano até abril, o rombo nas contas externas soma US$ 3,500 bilhões.

Já nos últimos 12 meses até abril deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 19,845 bilhões, o que representa 1,06% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é o menor porcentual em relação ao PIB desde abril de 2008.

Remessa de lucros e dividendos

A remessa de lucros e dividendos de companhias instaladas no Brasil para suas matrizes foi de US$ 944 milhões em abril, informou o Banco Central. A saída líquida representa um volume maior do que os US$ 579 milhões que foram enviados em igual mês do ano passado, já descontados os ingressos.

No acumulado de janeiro a abril deste ano, a saída líquida de recursos via remessa de lucros e dividendos alcançou US$ 6,143 bilhões. O total é superior ao registrado em igual período do ano passado, quando as remessas foram de US$ 4,770 bilhões. A expectativa do BC é de que a remessa de lucros e dividendos deste ano some US$ 26,5 bilhões.

O BC informou também que as despesas com juros externos somaram US$ 2,301 bilhões em abril, ante US$ 1,379 bilhão em igual mês do ano passado. No acumulado do ano, essas despesas alcançaram US$ 8,762 bilhões, valor maior que os US$ 7,151 bilhões de igual período do ano passado. Para este ano, o BC projeta pagamento de juros no valor de US$ 21,4 bilhões.

Viagens internacionais

Segundo o Banco Central, a conta de viagens internacionais voltou a registrar déficit em abril. No mês passado, quando o dólar subiu cerca de 1% ante o real, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil foi de um saldo negativo de US$ 908 milhões. Em igual mês de 2015, o déficit nessa conta era de US$ 602 milhões.

O desempenho da conta de viagens internacionais foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 1,325 bilhão em abril. Já o gasto dos estrangeiros em passeio pelo Brasil ficou em US$ 417 milhões no mês passado.

No acumulado do ano até abril, o saldo líquido dessa conta está negativo em US$ 3,536 bilhões. Em igual período do ano passado, esse valor era de US$ 1,728 bilhão. Para 2017, o BC estima um déficit de US$ 12,5 bilhões para esta rubrica, mais que os US$ 8,473 bilhões de déficit registrados em 2016.

Os dados sobre o setor externo divulgados nesta terça pelo Banco Central referem-se a abril e, por isso, ainda não foram impactados pelo aumento do risco político no Brasil, após delação premiada da JBS atingir o governo Michel Temer.

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