Meirelles nega 'plano B' para a reforma da Previdência

Altamiro Silva Junior e Francisco Carlos de Assis

São Paulo

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira, 29, que foi surpreendido pela notícia nos jornais de que o governo teria um plano B no caso de a reforma da Previdência não ser aprovada no Congresso. "Não é real", disse durante evento em São Paulo.

O ministro reforçou no evento que a expectativa do governo é que a economia cresça em 2017, depois da forte recessão em 2016. A previsão é que o Produto Interno Bruto (PIB) chegue ao quarto trimestre crescendo 2,7% na comparação com igual período de 2016.

Meirelles citou a queda do risco Brasil pela metade nos últimos meses, a redução da inflação e o corte dos juros. "A queda dos juros hoje reflete a diminuição da taxa de inflação", afirmou ele, destacando que o que se discute hoje no mercado é a magnitude da queda dos juros e não se o Banco Central vai subir a taxa.

A previsibilidade, destacou Meirelles, é uma questão essencial para atrair investidores e o governo tem tentado garantir estabilidade de regras para os estrangeiros interessados no Brasil. Nos projetos de concessões, o que vai prevalecer são as regras de mercado, disse o ministro.

Expectativas

Meirelles, afirmou que o governo segue com a expectativa de aprovação da reforma da Previdência e quanto mais rápido for a aprovação, melhor será para as expectativas dos agentes e para a recuperação da economia.

O ministro disse que se a Câmara cumprir o que sinalizou seu presidente, o deputado Rodrigo Maia, de votar o texto na primeira quinzena de junho, será um fator positivo. "Eu tive reuniões extensas com parlamentares. Tive reuniões com a bancada de todos os partidos que compõem a base e a discussão sempre foi muito produtiva", disse o ministro no Fórum Exame de Previdência.

Segundo Meirelles, os parlamentares demonstraram entender nestes encontros, que chegaram a durar sete horas, a necessidade da reforma e que, sem as medidas, a trajetória da dívida do governo é insustentável. "Mesmo que todas as despesas se limitassem a um terço do Orçamento não haveria espaço para elas", observou Meirelles. "A reforma da Previdência se torna cada vez mais necessária na visão da sociedade. Estamos na hora certa para fazer a reforma."

Com a Previdência ocupando cada vez mais espaço no Orçamento, Meirelles ressaltou que os próprios parlamentares podem perder espaço em suas regiões para propor medidas, pois não haveria como o governo liberar recursos públicos, comprometidos com a Previdência. "Já temos previdências insolventes em vários países e em alguns Estados", disse ele. "A mensagem é que, mais importante do que se aposentar, é receber a aposentadoria", disse ele.

Ao ser questionado sobre a reação do mercado às recentes denúncias contra Michel Temer, que vem sendo marcada por certa calma depois da turbulência inicial, Meirelles afirmou que o mercado acredita que a economia hoje não é mais tão frágil. "A economia já está crescendo e isso dá maior confiança a todos."

Crise política

O ministro da Fazenda afirmou que seu cenário base é que o presidente Michel Temer termine seu mandato no Planalto, apesar da recente crise provocada por denúncias contra o peemedebista com a delação da JBS. A reforma da Previdência que está sendo feita neste momento, ressaltou o ministro, extrapola este e outros mandatos.

O ministro foi questionando sobre as especulações de que seria um potencial candidato para substituir Temer. "Passei um ano respondendo a outra pergunta, se eu seria candidato em 2018", disse o ministro, ressaltando que não trabalha com hipóteses. "Trabalho com a realidade. Estou focado em meu trabalho de fazer o Brasil crescer mais no futuro."

Meirelles minimizou o impacto da troca de comando nas operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciada na última sexta-feira. O ministro disse que Maria Silvia Bastos, que deixou o comando da instituição, "fez um bom trabalho" no banco e saiu por questões pessoais. O economista Paulo Rabelo de Castro foi o escolhido para ocupar o cargo e também recebeu elogios de Meirelles, que o chamou de "economista liberal".

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