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Crise política pode afetar meta fiscal de 2018

Idiana Tomazelli e Igor Gadelha

Brasília

Sob o risco iminente de o PSDB desembarcar do governo Michel Temer, os tucanos arremataram uma das relatorias mais importantes da Comissão Mista de Orçamento (CMO), a do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2018. Esse documento que fixa a meta fiscal para o ano que vem em déficit de R$ 129 bilhões - cifra que pode ser reavaliada pelo colegiado.

"Os últimos acontecimentos influenciarão profundamente na retomada do desenvolvimento econômico, e aí essas metas possivelmente, necessariamente terão de ser readequadas", disse ao Estadão/Broadcast o senador Dário Berger (PMDB-SC), presidente da CMO.

A relatoria será definida oficialmente em reunião da comissão na próxima terça-feira (13), mas já houve acordo para a indicação do deputado Marcus Pestana (PMDB-MG) para o posto. Ele é do grupo ligado a Aécio Neves, senador afastado do cargo após ser flagrado pedindo dinheiro a executivos da JBS em gravação entregue pela empresa à Justiça.

Berger ressaltou que um eventual desembarque do PSDB do governo pode levar à revisão dessa indicação, bem como da previsão de os tucanos do Senado assumirem a relatoria de receitas do Orçamento, outra posição importante.

"Se o PSDB desembarcar, é possível que se altere o quadro", afirmou. A legenda deve decidir seu futuro na segunda-feira (12). Aécio é um dos defensores da permanência do PSDB ao lado de Temer, também implicado nas delações da JBS.

Pelo regimento, a relatoria do PLDO de 2018 deveria ficar com o PT (Partido dos Trabalhadores), que é da oposição e tem a segunda maior bancada da Câmara, com 58 deputados. "Foi feito um acordo. Ficamos com mais uma sub-relatoria (do Orçamento). Teríamos uma e agora ficamos com duas", afirmou o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP). A bancada do partido no Senado terá mais uma sub-relatoria, totalizando três.

Em tese, o Congresso precisa aprovar as diretrizes do Orçamento do ano que vem antes do recesso, que começa em 18 de julho. "Trabalhamos para votar antes, mas já acho que vai ser difícil", reconheceu o presidente da CMO.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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