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Com renda estagnada, IPCA baixo evita piora da situação do trabalhador, diz IBGE

Daniela Amorim

Rio

A deflação de 0,23% registrada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em junho evitou que o poder aquisitivo da população diminuísse ainda mais, mas não quer dizer que houve alívio no bolso das famílias, avaliou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

"O que se sente é que a situação não fica pior. Quem vai sentir um certo alívio são aquelas pessoas que tiveram algum reajuste nos seus salários nos últimos tempos. Não são todas. De fato, a situação do trabalhador não ficou ainda pior, se a renda dele continua a mesma, se ele não teve aumento. A inflação parou naquele nível, o patamar de preços não retrocedeu ao nível do ano passado", frisou Eulina nesta sexta-feira (7).

O aumento no desemprego e a queda na renda das famílias tem deprimido a demanda, ajudando a conter a inflação, lembrou a coordenadora do IBGE. "A renda do brasileiro está baixa, o desemprego está muito alto. Então é uma questão de oferta e demanda mesmo", avaliou.

Queda generalizada

Segundo a coordenadora do IBGE, o impacto da demanda menor é generalizado entre os itens pesquisados, impedindo aumentos e repasses de custos nos mais variados segmentos, até mesmo na alimentação. Os produtos alimentícios consumidos no domicílio recuaram 0,93% no IPCA de junho. De 153 produtos alimentícios consumidos em casa, 100 ficaram mais baratos no último mês.

"Isso significa que 65% dos itens pesquisados tiveram sinal negativo, ou seja, a maioria dos itens caiu de maio para junho. O consumidor sentiu? O consumidor pode ter sentido o tomate, que teve uma redução maior. Agora, essa queda que a gente vê nos alimentos no IPCA não significa que o produto retornou ao preço lá de trás. Tem a questão da safra, que é enorme este ano, mas tem demanda também", avaliou.

Passagens aéreas

A inflação de serviços acelerou de 0,05% em maio para 0,43% em junho, segundo dados do IPCA). O movimento foi puxado pela alta de 6,89% nas passagens aéreas, justificou Eulina Nunes.

"Passagens aéreas é um sobe e desce, é por conta dessa característica. Foram as festas juninas de lugares como Campina Grande, foi o feriado de Corpus Christi que caiu numa quinta-feira", lembrou a pesquisadora, negando que a mudança na política de cobrança de bagagens tenha influenciado o resultado. A taxa acumulada em 12 meses pela inflação de serviços passou de 5,62% em maio para 5,72% em junho.

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