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Estratégia de ocupar mesa diretora do Senado foi costurada semana passada

Julia Lindner

Brasília

Senadores da oposição articularam desde a semana passada a estratégia de ocupar a mesa diretora do plenário do Senado nesta terça-feira, 11, para tentar negociar mudanças na proposta para que ela tivesse que voltar para a Câmara dos Deputados. A obstrução organizada pelos partidos PT, PSB e PCdoB durou quase oito horas.

Apesar da decisão do presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), de proibir a visitação no dia do pleito, eles também conseguiram autorizar a entrada de trabalhadores e sindicalistas com a desculpa de que participariam da Comissão de Direitos Humanos (CDH) pela manhã.

Segundo a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), a última a deixar a mesa para ceder lugar ao presidente da Casa, os oposicionistas consideraram que não tinham outra saída, pois "cada vez mais o governo fechou as portas para que fosse possível fazer negociações".

"Na medida em que foram se fechando as portas para que a gente pudesse ter um entendimento, a gente foi pensando em algumas alternativas para expressar o nosso inconformismo", declarou Fátima.

Ao longo da tarde, o grupo tentou negociar a aprovação de uma emenda de redação para impedir que gestantes e lactantes trabalhem em locais insalubres, mesmo que com a autorização de um médico, como consta no texto aprovado. Os governistas rejeitaram a proposta, pois a alteração faria com que o texto voltasse para a Câmara. O presidente Michel Temer se comprometeu a vetar este trecho antes da sanção presidencial.

Na base da governista, o resultado foi dentro do esperado. Parlamentares indecisos, como Lasier Martins (PSD-RS), votaram a favor do texto. Outros senadores que sinalizaram que não poderiam comparecer, como Magno Malta (PR-ES), fizeram questão de se manifestar a favor do governo e ainda criticaram a atitude das senadores de ocuparem a mesa.

No PSDB, que dá sinais de que pode desembarcar do governo, o resultado também foi dentro do previsto. Todos os parlamentares votaram a favor do projeto, tirando o senador Eduardo Amorim (PSDB-ES), que já havia votado contra a proposta na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e avisou que votaria contra a reforma desde o início da tramitação.

Ao longo da tarde, com a ocupação da mesa diretora, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que é a favor do desembarque, chegou a colher assinaturas de parlamentares para tentar modificar o local da votação e garantir a aprovação da reforma.

Veja como cada senador votou:

SIM

Aécio Neves (PSDB-MG)

Airton Sandoval (PMDB-SP)

Ana Amélia (PP-RS)

Antonio Anastasia (PSDB-MG)

Armando Monteiro (PTB-PE)

Ataídes Oliveira (PSDB-TO)

Benedito de Lira (PP-AL)

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

Cidinho Santos (PR-MT)

Ciro Nogueira (PP-PI)

Cristovam Buarque (PPS-DF)

Dalírio Beber (PSDB-SC)

Dário Berger (PMDB-SC)

Davi Alcolumbre (DEM-AP)

Edison Lobão (PMDB-MA)

Eduardo Lopes (PRB-RJ)

Elmano Férrer (PMDB-PI)

Fernando Coelho (PSB-PE)

Flexa Ribeiro (PSDB-PA)

Garibaldi Alves (PMDB-RN)

Gladson Cameli (PP-AC)

Ivo Cassol (PP-RO)

Jader Barbalho (PMDB-PA)

João Alberto Souza (PMBD-MA)

José Agripino (DEM-RN)

José Maranhão (PMDB-PB)

José Medeiros (PSD-MT)

José Serra (PSDB-SP)

Lasier Martins (PSD-RS)

Magno Malta (PR-ES)

Marta Suplicy (PMDB-SP)

Omar Aziz (PSD-AM)

Paulo Bauer (PSDB-SC)

Pedro Chaves(PSC-MS)

Raimundo Lira (PMDB-PB)

Ricardo Ferraço (PSDB-ES)

Roberto Muniz (PP-BA)

Roberto Rocha (PSB-MA)

Romero Jucá (PMDB-RR)

Ronaldo Caiado (DEM-GO)

Rose de Freitas (PMDB-ES)

Sérgio Petecão (PSD-AC)

Simone Tebet (PMDB-MS)

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Valdir Raupp (PMDB-RO)

Vicentinho Alves (PR-TO)

Waldemir Moka (PMDB-MS)

Wellington Fagundes (PT-MT)

Wilder Morais (PP-GO)

Zeze Perrella (PMDB-MG)

NÃO

Alvaro Dias (PODE-PR)

Ângela Portela (PDT-RR)

Antonio C Valadares (PSB-SE)

Eduardo Amorim (PSDB-SE)

Eduardo Braga (PMDB-AM)

Fátima Bezerra (PT-RN)

Fernando Collor (PTC-AL)

Gleisi Hoffmann (PT-PR)

João Capiberibe (PSB-AP)

José Pimentel (PT-CE)

Jorge Viana (PT-AC)

Kátia Abreu (PMDB-TO)

Lídice da Mata (PSB-BA)

Lindbergh Farias (PT-RJ)

Otto Alencar (PSD-BA)

Paulo Paim (PT-RS)

Paulo Rocha (PT-PA)

Randolfe Rodrigues (REDE-AC)

Regina Sousa (PT-PI)

Reguffe (Sem partido-DF)

Renan Calheiros (PMDB-AL)

Roberto Requião (PMDB-PR)

Romário (PODE-RJ)

ABSTENÇÃO

Lúcia Vânia (PSB-GO)

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