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Juros de títulos da Itália disparam com impasse político

Victor Rezende

São Paulo

Os rendimentos dos bônus soberanos da Itália e da Espanha apresentaram forte avanço nesta terça-feira, à medida que os investidores continuaram monitorando os acontecimentos políticos nos dois países. A expectativa de que eleições antecipadas possam levar ao poder partidos eurocéticos gerou uma forte busca por segurança em solo europeu, onde houve uma onda vendedora de títulos italianos e espanhóis ao mesmo tempo em que a procura por Treasuries e Bunds alemães ganhou fôlego.

O juro do BTP italiano de dois anos disparou, passando de 0,941% na segunda-feira para 2,418%, no maior nível desde outubro de 2012, enquanto o yield do BTP de dez anos subiu de 2,670% para 3,099%, superando a marca psicologicamente importante dos 3%. Em solo espanhol, o retorno do título de dois anos subiu de -0,124% para -0,058%, e, em alguns momentos, operou em terreno positivo. Já o rendimento do bônus de dez anos avançou de 1,526% para 1,601%.

No noticiário do dia, não houve grandes novidades nos dois países. De acordo com a agência Ansa, cresce o apoio de partidos políticos do país para a realização de novas eleições gerais em 29 de julho. Enquanto isso, o primeiro-ministro designado, Carlo Cottarelli, se reuniu com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, nesta terça-feira. Os dois farão novo encontro amanhã, quando Cottarelli deve relatar ao presidente os avanços alcançados na formação de uma equipe de governo, reportou a Ansa.

As vendas de BTPs começaram logo no início dos negócios, gerando atenção de analistas e do presidente do Banco da Itália, Ignazio Visco, que também integra o conselho diretivo do Banco Central Europeu (BCE). Para Visco, os movimentos dos mercados vistos nos últimos dias "só podem ser explicados por razões emocionais". Ele disse que a Itália deve continuar a fazer reformas e ressaltou que o país ainda está um pouco distante de perder a credibilidade internacional. Já o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que o destino da Itália "não está nas mãos dos mercados financeiros" e lembrou que o país "tem contribuído imensamente para a integração europeia".

Na avaliação dos analistas do Goldman Sachs, os rendimentos dos BTPs continuam "altamente voláteis e vulneráveis" aos desenvolvimentos políticos na Itália e o aumento dos níveis de spread entre os juros dos Bunds alemães e dos BTPs italianos de dez anos acima de 200 pontos-base está "criando efeitos colaterais em outros mercados, promovendo uma forte procura pelos Bunds, pelos Treasuries, e levando a um enfraquecimento do euro". De acordo com a Tradeweb, o spread entre os yields dos dois bônus subiu para 293 pontos-base, à medida que o retorno do Bund de 10 anos caiu de 0,354% para 0,256%.

Para os economistas Andrew Wroblewski e Gianluca Zigilo, da Continuum Economics, a decisão de Mattarella de bloquear a nomeação de um ministro de Economia e Finanças eurocético "foi claramente desencadeada por um desejo de amenizar as preocupações do mercado financeiro sobre o compromisso da Itália com o euro e com a própria UE". No entanto, "o tiro claramente saiu pela culatra" enquanto os mercados acionários reagiram com forte baixa e os rendimentos dos BTPs italianos apresentam fortes saltos, preocupados com a possibilidade de uma nova eleição ser quase inevitável, na qual a participação da Itália na UE e na zona do euro será o tema dominante.

Os estrategistas de renda fixa Aaron Kohli e Ian Lyngen, do BMO Capital Markets, afirmaram que "não importa se os rendimentos dos bônus soberanos em algumas partes da Europa são muito altos devido ao risco geopolítico ou devido ao aperto monetário coordenado pelos bancos centrais globais". Eles dizem, ainda, que a transmissão de condições mais restritas para os mercados financeiros continua a mesma "e as rachaduras que observamos no apetite ao risco provavelmente só aumentarão", enquanto a aversão a ativos considerados mais arriscados "só tende a aumentar".

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