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Projeções de inflação em 2018 sobem para 4,2% nos dois cenários híbridos do RTI

Fabrício de Castro e Fernando Nakagawa

Brasília

28/06/2018 10h37

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira, 28, no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em dois cenários híbridos - que combinam hipóteses dos cenários de referência e de mercado.

No primeiro cenário híbrido - que considera a taxa de câmbio constante em R$ 3,70 e a evolução da Selic (a taxa básica de juros) conforme as projeções do boletim Focus -, a projeção de inflação para 2018 subiu de 3,6% para 4,2%. Para 2019, seguiu em 3,9% e, para 2020, recuou ligeiramente, de 3,8% para 3,7%.

No segundo cenário híbrido - que considera a taxa de câmbio variando conforme o Focus e a Selic estável em 6,50% -, a projeção de inflação para 2018 subiu de 3,7% para 4,2%. Para 2019, caiu de 4,2% para 3,8% e, para 2020, recuou de 4,4% para 4,1%.

Administrados

O RTI mostra que o Banco Central prevê alta de 7,2% para os preços administrados em 2018. O porcentual é o mesmo informado na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na terça-feira, 26. No RTI de março, a projeção era de 4,8%.

Para 2019, a expectativa de alta do conjunto de preços administrados é de 4,6%, também igual ao verificado na ata. Já o RTI de março o porcentual estimado era de 3,8%. No caso de 2020, a projeção recuou ligeiramente, de 4,0% no RTI de março para 3,8%.

No Relatório de Mercado Focus, divulgado na última segunda-feira, os analistas consultados pelo BC previam alta dos preços administrados de 6,30% em 2018, 4,50% em 2019 e 4,00% em 2020.

Câmbio constante

O Banco Central informou que as estimativas apresentadas no RTI divulgado nesta quinta levaram em conta um câmbio de R$ 3,70 para a formulação do cenário de referência (de câmbio e juros constantes). O documento teve como data de corte o dia 15 de junho deste ano.

No relatório de mercado Focus da última segunda-feira, as projeções para o dólar ficaram em R$ 3,65 para o fim de 2018 e R$ 3,60 para o fim de 2019.

Transações correntes

O Banco Central cortou pela metade a previsão de déficit de transações correntes neste ano, para US$ 11,5 bilhões. Um dos itens que sofreu foi a conta de viagens internacionais. Com o dólar mais caro, a instituição prevê que o déficit nas contas externas gerado pelos gastos de brasileiros no exterior cairá 13%. O BC também reduziu a expectativa de ingresso estrangeiro produtivo neste ano em 12,5%.

As novas previsões para as contas externas constam do Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta. A projeção para o déficit em transações correntes caiu de US$ 23,3 bilhões - estimativa feita em março - para US$ 11,5 bilhões. A queda é de 50%.

Entre os itens das contas externas que explicam a melhora do déficit, a previsão de superávit da balança comercial indica saldo mais favorável ao Brasil e passou de US$ 56 bilhões para US$ 61 bilhões. Ao mesmo tempo, a previsão de rombo na conta de serviços caiu de US$ 38,1 bilhões para US$ 35,6 bilhões. Nessa conta, está incluída a previsão de que o déficit das viagens internacionais cairá de US$ 17,3 bilhões para US$ 15 bilhões no ano.

IDP

Já a previsão de entrada de Investimento Direto no País (IDP) em 2018 caiu de US$ 80 bilhões para US$ 70 bilhões - uma redução de 12,5%.

Conforme o RTI, a estimativa para o investimento de estrangeiros em ações de empresas brasileiras - incluindo papéis negociados no País e no exterior - caiu de saldo positivo de US$ 5 bilhões para US$ 3 bilhões. No caso dos títulos de renda fixa negociados no País, a projeção permaneceu de saldo zero. Sobre a remessa de lucros e dividendos, o BC reduziu a expectativa de saída de recursos de US$ 24,5 bilhões em março para US$ 20,6 bilhões em junho.

O BC informou ainda que sua estimativa para a taxa de rolagem de compromissos no exterior em 2018 caiu de 100% para 90%.

Dificuldade

O Banco Central voltou a pontuar que, em função dos choques recentes enfrentados pela economia brasileira, deverá ser mais difícil verificar, no curto prazo, se a evolução da economia segue em linha com seu cenário básico para o médio e longo prazos.

Assim, os membros do Copom "concluíram que esse contexto reforça a importância de acompanhar ao longo do tempo a evolução do cenário básico e seus riscos e de avaliar a perenidade dos efeitos dos choques sobre a inflação (isto é, seus efeitos secundários) de forma a garantir que a conquista da inflação baixa perdure, mesmo diante de choques adversos". Estes comentários aparecem no RTI, divulgado na manhã desta quinta.

No documento, o BC também voltou a afirmar que houve redução do apetite ao risco em relação às economias emergentes. Ao avaliar o ambiente doméstico, a instituição repetiu uma ideia que constou na ata do último encontro do Copom: "a de que indicadores referentes a maio e, possivelmente, junho deverão refletir os efeitos da referida paralisação dos caminhoneiros".

"O cenário básico contempla continuidade do processo de recuperação da economia brasileira, em ritmo mais gradual", acrescentou o BC.

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