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'Brasil vai sofrer bullying de Trump', diz americano James Bacchus

Jamil Chade

Genebra

04/10/2018 07h20

Depois de negociar com México e Canadá, o presidente Donald Trump está convencido de que sua estratégia de fazer bullying com seus parceiros comerciais funciona e o Brasil pode ser o próximo na lista. Quem diz isso é de um dos nomes mais respeitados do comércio internacional, o americano James Bacchus.

Ex-deputado pelo Partido Democrata, Bacchus assumiu o cargo de juiz do Órgão de Apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC) nos anos 90. Em 2001, ele se tornou o primeiro americano a ocupar o cargo máximo e presidir o que viria a ser uma espécie de Supremo Tribunal do comércio mundial.

País duro

Em entrevista ao Estado, Bacchus comentou o comportamento de Trump que, na última segunda-feira (1º), criticou a relação comercial com o Brasil e Índia. "O Brasil é outro caso. É uma beleza. Eles cobram de nós o que querem", disse Trump. "Se você perguntar a algumas empresas, eles dizem que o Brasil está entre os mais duros do mundo, talvez o mais duro. E nós não os chamamos e dizemos 'vocês estão tratando nossas empresas injustamente, tratando nosso país injustamente", afirmou o presidente americano.

"Ele (Trump) agora quer fazer bullying com eles também", disse o ex-juiz, em uma referência ao Brasil e Índia. "Ele está sinalizando que fará isso com outros e eles (Brasil e Índia) serão os próximos", disse.

Na OMC, o órgão que era presidido por Bacchus está sendo também alvo de ataques por parte dos americanos. Desde o ano passado, a Casa Branca tem impedido a nomeação de juízes para a corte suprema, levando o órgão a ver uma redução do número de seus membros. De sete juízes, a entidade agora conta com apenas três e, em 2019, poderia deixar de funcionar.

"A questão toda aqui é a deferência que os americanos queriam receber da OMC", disse Bacchus. "Setores americanos que não conseguiam competir no mercado internacional tentaram obter essa situação. Mas não tiveram sucesso. Nenhum outro país da OMC aceitou dar esses privilégios aos americanos", constatou. "Os EUA não são os únicos no mundo. Acredito que é um país excepcional e estou lutando para recuperá-lo. Mas não somos os únicos povos do mundo", disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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