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Calçadistas pedem ao governo que abertura comercial seja gradual

Dayanne Sousa

São Paulo

13/12/2018 16h00

Fabricantes de calçados elaboraram pleitos ao próximo governo entre os quais um pedido para que a abertura comercial ocorra de forma gradual e que se evite "concorrência predatória". O documento da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) foi encaminhado ao senador eleito Luís Carlos Heinze.

A Abicalçados afirma que a redução ou eliminação das tarifas de importação "deve ocorrer de forma sincronizada com a diminuição do Custo Brasil". A entidade considera que essa seria a forma de dar melhores condições de competitividade para a indústria nacional. "Não somos contra o livre o mercado, mas é preciso ter equidade para a concorrência legal e não predatória", justifica em nota o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein.

Nos dez anos entre 2007 e 2017, segundo a Abicalçados, as exportações de calçados saíram de US$ 1,7 bilhão para US$ 1 bilhão, patamar semelhante ao da década de 1990. No mesmo período, o número de empresas na atividade caiu de 8 mil para 7 mil.

A agenda de abertura comercial tem sido um ponto de atenção no setor calçadista. Executivos consideram que ainda é cedo para chegar a conclusões, mas especulam que pode haver aumento em importações e prejuízo para algumas fabricantes de menor eficiência.

"Não é novidade que a indústria de manufatura nacional, em especial a mais intensiva em mão de obra, passa por grandes dificuldades competitivas", diz a nota da Abicalçados.

Ainda sobre o comércio exterior, a entidade pede o restabelecimento do Reintegra nas alíquotas originais do programa, que ao ser implementado em 2012 previa alíquotas de 3% a 5%. Em junho de 2018 houve a redução da alíquota de restituição do programa, de 2% para 0,1%. "A medida do governo prejudicou, e muito, os calçadistas que já haviam fechado seus valores para exportação", avalia Klein.