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Pnad Contínua coletará por telefone dados sobre mercado de trabalho, afirma IBGE

Daniela Amorim

Rio

19/03/2020 17h23

A coleta presencial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), suspensa no último dia 17 por conta da pandemia de coronavírus, será substituída pela coleta por telefone a partir desta quinta-feira, a exemplo do que ocorrerá com os indicadores de inflação apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

A pesquisa divulga dados sobre o mercado de trabalho e a taxa de desemprego no País, e a suspensão da visita aos domicílios informantes gerou temores de que os dados do mercado de trabalho deixassem de ser medidos durante a crise de disseminação do covid-19. Segundo o IBGE, não haverá interrupção na série nem da divulgação dos dados.

"Contamos com vocês para que o IBGE possa continuar fornecendo informações tão relevantes como a taxa de desemprego e a renda da população", disse Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, em vídeo de apelo à população publicado no site do instituto.

Os dados da Pnad Contínua até o trimestre encerrado em fevereiro de 2020 já foram coletados e serão divulgados dentro da normalidade. Um eventual prejuízo às informações sobre o mercado de trabalho poderia prejudicar a série histórica da pesquisa a partir de março.

Na quarta-feira, 18, o IBGE informou que a coleta presencial de todos os índices de inflação seria substituída por coleta manual via internet ou coleta por telefone, sem prejuízo para o cálculo do indicador nem interrupção da série histórica.

A pandemia de coronavírus fez o IBGE também suspender nesta quarta-feira a coleta de preços presencial em estabelecimentos de varejo para o cálculo dos indicadores de inflação do órgão. O cancelamento da coleta presencial se refere ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - Especial (IPCA-E), Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e aos índices e preços do Sistema Nacional de Pesquisas de Custos e Índices da Construção Civil (INCC/Sinapi).

O IPCA serve como referência para o sistema de metas de inflação, adotado pelo Banco Central. Parte da coleta do índice de preços já era feita pela internet, mas parte ainda era presencial, com visitas de agentes aos estabelecimentos.

"Tudo o que era coleta predominantemente presencial, vamos pegar online no site da mesma rede, da mesma loja. Dado o momento atípico de recolhimento das pessoas, acreditamos também na tendência de aumento do consumo não presencial. O recolhimento é uma tendência e uma recomendação. Então estamos acompanhando essa hipótese de consumo", disse na quarta ao Broadcast o coordenador de Índices e Preços do instituto, Gustavo Vitti.

Os estabelecimentos varejistas que não tiverem vendas online para coleta de preços serão substituídos por sites de empresas do mesmo padrão e mesmo porte. No caso da coleta de preços de serviços, o contato será por telefone. No caso da alimentação fora do domicílio, a coleta de informações de bares e restaurantes também será por telefone enquanto os estabelecimentos estiverem funcionando.

Quando deixarem de funcionar por causa da pandemia, o IBGE adotará a recomendação internacional de imputar o preço dos itens pesquisados, que pode ser o mesmo do mês anterior. Quanto aos combustíveis, o IBGE avalia usar a coleta de preços nas bombas da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Os dados do IPCA-15 de março foram integralmente coletados e estão prontos para serem divulgados. O IPCA de março terá 12 dias de coleta exclusivamente online ou via telefone.

O IBGE também já tinha anunciado o adiamento da realização do Censo Demográfico de 2020 para o ano 2021. A coleta de dados do levantamento censitário em todos os lares brasileiros, que começaria no dia 1º de agosto deste ano, agora terá início em 1º de agosto de 2021, com duração de três meses.

O órgão cancelou o processo seletivo já aberto para a contratação de mais de 200 mil trabalhadores temporários, que teria provas nos próximos dias 17 e 24 de maio para as vagas de recenseadores e supervisores. A previsão do órgão era que atraísse mais de dois milhões de candidatos ao concurso público. Os candidatos que fizeram o pagamento da inscrição no concurso terão que ser reembolsados.