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Privatização não está no radar do governo, diz presidente da Petrobras

Roberto Castello Branco, CEO da Petrobras - SERGIO MORAES
Roberto Castello Branco, CEO da Petrobras Imagem: SERGIO MORAES

Fernanda Nunes

Rio

25/05/2020 12h38

Em teleconferência promovida pela Genial Investimentos, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que a privatização da empresa não está no radar do governo. Ele reiterou, no entanto, que continua em curso o programa de venda de ativos e subsidiárias.

Em alguns casos, unidades serão fechadas, como aconteceu com a Araucária Nitrogenados (Ansa), no início deste ano.

A participação da estatal na Braskem deve ser vendida até o fim do ano. A companhia petroleira é sócia da Odebrecht na petroquímica.

Relação com a China

Segundo Castello Branco, a relação da Petrobras com a China "não poderia ser melhor". De acordo com o executivo, não há interferência política nos acordos comerciais firmados entre os dois países.

A China é atualmente um dos principais compradores de petróleo e derivados da Petrobras e também um dos que detêm o maior número de contratos de construção de plataformas para a estatal.

O crescimento das exportações para a Ásia tem sustentado a receita da companhia. Com isso, a alta do dólar tem sido favorável à companhia, de acordo com o executivo.

Preço do petróleo

A Petrobras projeta uma recuperação gradual do preço do petróleo nos próximos cinco anos, até chegar a US$ 50 por barril na média anual. Para este ano, a cotação projetada é de US$ 25 por barril, segundo o presidente da companhia.

Enquanto o preço da commodity se mantém em patamar mais baixo, a companhia revê o seu portfólio de projetos. Alguns deles devem ser readequados para que sejam viáveis neste período de crise. Outros serão suspensos e outros, definitivamente cancelados. O executivo enfatizou, porém, que não pretende alavancar a empresa para manter os investimentos.

Castello Branco disse ainda esperar a retomada de medidas de desalavancagem no ano que vem, mas isso dependerá do cenário global, principalmente se haverá uma segunda onda de contaminação pelo coronavírus. Por enquanto, a meta se mantém em endividamento médio anual de US$ 87 bilhões no curto prazo e de US$ 60 bilhões no longo prazo.

O presidente da companhia petroleira enfatizou ainda que vê sinais tênues de recuperação das economias.

"Uma das alavancas de crescimento da China são as exportações. Mas a demanda dos clientes ainda está fraca. Embora seja um desempenho melhor (do que há alguns meses), a melhora é muito pouco substancial. Nós da Petrobras procuramos trabalhar num pior cenário possível", afirmou o presidente da estatal.