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De olho em juro zero, BTG acelera plataforma digital

Fernanda Guimarães

São Paulo

23/06/2020 08h24

O fenômeno do juro real zero no Brasil e crescimento do mercado de capitais no País motivaram o BTG Pactual a colocar o pé no acelerador em sua plataforma digital, lançada há quase quatro anos. Para dar gás ao crescimento da unidade, o BTG vai levantar R$ 2,5 bilhões por meio de uma oferta de ações em bolsa, dinheiro com destino carimbado para o varejo digital, unidade comandada desde o ano passado por Amos Genish.

A operação mostra que o banco enxerga oportunidades de crescimento de sua plataforma, em um momento em que o número de pessoas físicas na Bolsa não para de bater recordes - em maio, eram 2,5 milhões de CPFs na B3. Com o juro real zero por aqui, a projeção é de que um volume grande de dinheiro precisará buscar rentabilidade.

A oferta de ações, conforme fontes, foi pensada para aproveitar o momento de mercado, de alta liquidez global. Em fato relevante, o BTG destacou que pretende utilizar os recursos líquidos da oferta "para acelerar iniciativas estratégicas e o crescimento da sua plataforma de varejo digital".

Por enquanto, o BTG ainda não abriu ao mercado os números de sua plataforma digital ou número de clientes, mas o crescimento vem sendo robusto. Conforme fonte de mercado, o BTG Pactual Digital teria mais de 300 agentes autônomos em cerca de 70 assessorias de investimentos.

A XP, líder no mercado, tem 2 milhões de clientes e quase 6 mil agentes em 620 assessorias de investimentos, conforme dados que constaram em seus documentos na época em que abriu capital. Os agentes autônomos são um dos temas na mesa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que caminha para acabar com a exclusividade desses profissionais.

Para dimensionar o tamanho que pode atingir esse negócio do BTG, investidores têm olhado a performance da XP, cujo crescimento tem sido estrondoso. Listada na bolsa norte-americana Nasdaq desde dezembro de 2019, a XP, auxiliada também pela taxa de câmbio, já superou um valor de mercado de R$ 130 bilhões - mais do que o dobro do que o do BTG na B3, apesar de seu resultado ser bem inferior ao do rival.

O BTG pretende lançar ainda em 2020 seu banco transacional, que oferecerá aos clientes cartão de crédito e a possibilidade de pagamento de contas. A XP planeja o mesmo tipo de lançamento também para este ano.

O BTG é coordenador líder da oferta, que será bastante rápida e com sua precificação marcada para daqui uma semana, no próximo dia 29. Também trabalham na operação o Bradesco BBI, Itaú BBA e Santander.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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